Groenlandesas e mulheres da Groenlândia que não moraram no país passaram a ter direito à indenização no famoso “Caso do DIU", em que meninas — que podiam ter até 12 anos — receberam o método contraceptivo sem seu consentimento.
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Entre 1960 e 1970, mais de quatro mil mulheres teriam sido vítimas do que é considerado, pelos relatórios encomendados pelo Naalakkersuisut, o governo da Groenlândia, um “genocídio”.
O que foi o ‘Caso do Diu’
A investigação se baseou nos relatos de 354 mulheres e abrange 488 episódios em que as mulheres não haviam dado consentimento para receber o DIU.
Na época, a Groenlândia era um condado da Dinamarca.
Segundo o jornal groenlandês KNR, a iniciativa teve, como principal motivação, um desejo eugenista das autoridades dinamarquesas: controlar o crescimento populacional dos groenlandeses, que é composta, em maioria — quase absoluta — por inuítes, um povo indígena que habitam a região dos árticos.
Na decisão desta terça-feira, o projeto de lei, aprovado pelo Parlamento, adicionou também mulheres que não moraram na Groenlândia até 1992.
Segundo Ida Auken, ministra da Saúde da Dinamarca: “Durante a tramitação da lei, ficou claro que as regras propostas poderiam impedir uma mulher que viveu toda a vida na Dinamarca de receber indenização, mesmo que tenha sido submetida, na Dinamarca, a um procedimento contraceptivo que, segundo sua própria percepção, ocorreu por ela ser groenlandesa”
Em dezembro de 2025, o governo dinamarquês anunciou que pagará uma indenização de 300 mil coroas dinamarquesas às mulheres groenlandesas que receberam DIUs ou a injeção contraceptiva Depo-Provera sem consentimento, enquanto o sistema de saúde ainda estava sob responsabilidade da Dinamarca, até 1991.
Alguns meses antes desse anúncio, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediu desculpas, em nome e todo país, às mulheres afetadas.
Advogado tentou impedir tramitação da lei
Nesta sexta-feira, 28, após a publicação da lei, mais dois relatórios sobre o caso serão divulgados pela ministra groenlandesa responsável pelas áreas de Crianças, Juventude, Justiça e Igualdade, Mariane Paviasen Jensen.
Em entrevista ao jornal Berlingske, um dos autores desses relatórios, o advogado Jonas Christoffersen, defendeu que a lei não deveria tramitar enquanto os documentos não fossem divulgados, o que foi rejeitado pelas parlamentares Naaja H.
Nathanielsen e Qarsoq Høegh-Dam,
Segundo eles, é importante lembrar que a lei surge como consequência do pedido de desculpas da primeira-ministra Mette Frederiksen às mulheres afetadas.
"Foi uma injustiça, e agora se tenta repará-la pedindo desculpas e concedendo uma compensação.
Não acredito que quaisquer relatórios possam mudar isso" afirma Naaja H.
Nathanielsen.
Mulheres da Groenlândia que receberam contraceptivo sem consentimento vão ter direito à indenização
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