Na China, cão robô dá apoio à colheita de chá - QTU Questões do Universo

Na China, cão robô dá apoio à colheita de chá

Fonte: Bandeira da fonte

Quem visita as cidades mais populosas da China está acostumado a ver robôs executando tarefas do dia a dia em espaços públicos e hotéis.
Máquinas autônomas fazem limpeza urbana, vigilância e entregam mercadorias, tornando-se uma atração para turistas.
Distante do olhar do público urbano, essas máquinas começam a ganhar espaço também na agricultura.

Em Hangzhou, localizada na província de Zhejiang, um cão robô foi utilizado durante a colheita de chá da primavera de 2026 (de março a junho no Hemisfério Norte) para transportar as folhas das plantações até a unidade de processamento.
A tecnologia é da SpatiX, empresa ligada à Qianxun Spatial Intelligence, joint venture formada entre o Alibaba Group e a Norinco, estatal chinesa da área da defesa.
A empresa recebeu neste mês um grupo de executivos e jornalistas brasileiros em sua sede em Xangai.
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As plantações de chá do Lago Oeste, uma das áreas produtoras de Hangzhou, ficam em locais com caminhos irregulares, que dificultam o transporte das folhas.
Equipado com tecnologia de posicionamento de alta precisão, o cão-robô percorre esse terreno sozinho, reduzindo o tempo gasto no transporte, segundo a SpatiX.
“As plantações de chá normalmente ficam em áreas montanhosas, o que faz do transporte um dos maiores desafios durante a colheita.
O cão-robô foi desenvolvido especificamente para esse tipo de ambiente.
Ele consegue subir encostas, atravessar caminhos irregulares e se deslocar com facilidade por terrenos externos complexos”, explica Doris Wu, diretora de parcerias estratégicas da empresa, ao Valor.
O caso ilustra uma frente menos conhecida da corrida chinesa pela automação: a chamada “embodied AI”, ou inteligência artificial incorporada.
Os sistemas são integrados a máquinas capazes de perceber o ambiente e executar tarefas físicas.
Na agricultura, a tecnologia começa a ser testada não apenas para colher, mas também para resolver gargalos como o transporte da produção dentro da propriedade.
A aplicação pode ser especialmente relevante em áreas de difícil acesso e com escassez de mão de obra.
“A IA incorporada não se resume a robôs humanoides, ela também consiste em resolver problemas práticos em setores do mundo real.
Na agricultura, cães-robôs podem se tornar parceiros logísticos inteligentes, ajudando a enfrentar os desafios do transporte na última milha e acelerando a transformação digital da agricultura moderna”, afirma Wu.
A empresa diz que enxerga oportunidades significativas no Brasil, dada sua forte base agrícola, e que tem interesse em estabelecer parcerias com companhias brasileiras, mas não entra em detalhes.
A robótica é vista como o próximo passo da agricultura de precisão.
Máquinas cada vez mais autônomas são capazes de identificar problemas e tomar decisões planta a planta, reduzindo o uso de insumos e aumentando a eficiência.
“Como consequência, temos ganhos econômicos e ambientais e uso mais racional e econômico de insumos, o que seria muito bem-vindo em momentos de aumento de riscos climáticos e margens apertadas como vivemos nos dias atuais”, diz o pesquisador Rogério de Sá Borges, da Embrapa Soja.

*O jornalista viajou a convite da DBN