Na educação, a IA influencia desde decisões sobre aprendizagem até novos modelos de negócio - QTU Questões do Universo

Na educação, a IA influencia desde decisões sobre aprendizagem até novos modelos de negócio

Fonte: Bandeira da fonte

IA e educação já andam juntas
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A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para se tornar parte da estratégia das empresas de educação.
Das plataformas digitais às escolas presenciais, a inovação passou a orientar decisões sobre aprendizagem, retenção de alunos, eficiência operacional e novos modelos de negócio.
Esse movimento aparece nas vencedoras do ranking Valor Inovação Brasil na categoria Educação.
As cinco primeiras colocadas — Vitru, Cogna, Fundação Bradesco, Afya e Gran — apresentam estratégias e têm públicos distintos, mas convergem no uso de tecnologia para resolver problemas concretos de estudantes, professores e gestores.

A líder do ranking, Vitru Educação, transformou a inovação em um processo de gestão.
Em vez de concentrar investimentos em um departamento específico, distribui a responsabilidade pelas iniciativas entre as áreas de negócio para que cada projeto tenha retorno calculado antes da implementação.
O objetivo é trazer eficiência operacional para a educação digital.

"A inovação na Vitru é sustentada por governança clara, métricas de desempenho e processos auditáveis", afirma o CEO Aroldo Alves.
Segundo ele, o compromisso é democratizar o acesso ao ensino de qualidade para quase um milhão de estudantes, partindo da resolução de problemas reais.

Essa lógica orienta tanto os investimentos em inteligência artificial quanto os programas de desenvolvimento interno.
A Vitru direciona entre 1% e 5% da receita líquida para inovação e já colhe resultados com o agente de IA SofIA, responsável pelo atendimento via WhatsApp durante a jornada de ingresso dos estudantes.
Lançada em janeiro de 2026, a ferramenta alcançou taxa de conversão de 8,82%, cerca de nove vezes superior à do atendimento tradicional, além de reduzir significativamente o tempo de resposta.

Aroldo Alves, CEO da Vitru: governança clara e métricas de desempenho
Divulgação
Outra frente utiliza uma arquitetura de múltiplos agentes de IA para atuar na retenção dos alunos, identificando as causas reais da evasão antes mesmo da oferta de descontos.
A expectativa é preservar até R$ 5 milhões em receitas ao longo de 2026, ao mesmo tempo em que amplia o atendimento automatizado.

A inovação também vem se convertendo em pilar da cultura organizacional.
A metodologia própria VitruResolve foi incorporada como meta contratual, estimulando todos os colaboradores a identificar as causas dos problemas antes de propor soluções tecnológicas.
"A tecnologia é sempre posicionada como apoio à execução, nunca como substituta do julgamento humano", afirma Alves.

A segunda colocada, a Cogna Educação, também aposta na inovação como elemento estruturante do negócio.
A estratégia é definida pelo CEO Roberto Valério como "ambidestra", procurando equilibrar ganhos de eficiência no presente com investimentos capazes de criar novos mercados.

Agenda de IA da Cogna Educação, que vem incorporando a tecnologia a toda a experiência educacional
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Segundo o executivo, a companhia vem incorporando inteligência artificial em diferentes etapas da experiência educacional, com iniciativas voltadas ao ensino personalizado.

Essa estratégia é coordenada pelo Cogna Labs, laboratório de inovação responsável por testar soluções, validar modelos de negócio e acelerar projetos com potencial de escala.
Algumas iniciativas abriram novas oportunidades de atuação, como é o caso da plataforma B2G Insights, que utiliza IA e análise de dados para apoiar o setor público.
“Em torno do Cogna Labs, operam aproximadamente 600 líderes que têm autonomia para criar soluções e expandir avenidas de crescimento; muitos dos casos que já apresentamos nasceram justamente desse movimento descentralizado”, afirma Valério.

No pipeline de investimentos, a companhia concentra esforços na ampliação das soluções baseadas em dados.
Um dos destaques é o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Engenharia do Aprendizado Cogna (NEAC), que utiliza modelos preditivos para adaptar roteiros de estudo, transformar erros em oportunidades de aprendizagem e calibrar o nível de dificuldade dos conteúdos.
Outra iniciativa é o Maestro, plataforma que reorganiza toda a jornada de relacionamento dos futuros alunos.

A inovação, segundo o CEO, extrapola o laboratório especializado e envolve toda a organização.
"Esperamos que cada profissional olhe para o seu dia a dia, questione processos, elimine tarefas que não agregam valor e proponha soluções novas."
A Fundação Bradesco, terceira colocada, apresenta uma abordagem diferente das empresas privadas de educação.
Com uma rede de 40 escolas e mais de 42 mil alunos atendidos gratuitamente, a instituição trata a inovação como instrumento para ampliar o ensino de qualidade em larga escala e fortalecer a gestão educacional.
"Nosso objetivo não é inovar pela tecnologia em si, mas ampliar a capacidade de gerar impacto social", afirma Murilo Nogueira, diretor administrativo e financeiro.

Nos últimos anos, a entidade promoveu uma ampla transformação digital por meio do Projeto ABC, que integrou plataformas de gestão, dados e inteligência artificial em uma única base tecnológica.
A modernização permitiu maior automação, governança e capacidade de tomada de decisão.

Na área pedagógica, a inovação também ganhou escala.
A instituição estruturou um sistema de governança educacional baseado em dados, apoiado por painéis analíticos e monitoramento contínuo da aprendizagem.
Em 2025, foram aplicadas mais de 170 mil avaliações externas, registradas mais de 4 milhões de notas e monitorados semanalmente cerca de 30 mil alunos.
Essas informações passaram a orientar planos de ação específicos para cada escola e turma.

A próxima etapa da estratégia concentra-se na ampliação do uso da inteligência artificial.
Depois de consolidar a infraestrutura de dados, a Fundação Bradesco prepara a adoção de agentes inteligentes, IA generativa e análises preditivas para apoiar tanto a gestão quanto a personalização da aprendizagem.
"Hoje, inovação significa testar, aprender, integrar, medir e evoluir continuamente", diz Nogueira.

A estratégia da Afya, que conquistou o quarto lugar do ranking, está centrada na integração entre educação médica, prática clínica e tecnologia.
A companhia busca desenvolver soluções capazes de acompanhar médicos desde a graduação até o exercício profissional, utilizando IA para personalizar conteúdos, apoiar decisões e aumentar a eficiência das operações.

Em 2025, a empresa destinou mais de 5% da receita líquida para inovação e mantém cerca de 600 profissionais diretamente envolvidos nessa agenda.
Entre os principais projetos está o IAgo, plataforma proprietária que reúne diferentes aplicações de IA, além da incorporação de assistentes inteligentes.

Os investimentos já apresentam resultados mensuráveis.
Segundo o CEO Virgílio Gibbon, a automação de tarefas repetitivas na graduação gerou economia superior a R$ 5 milhões.
Na educação continuada, conteúdos produzidos com apoio de IA registraram retenção 25% superior à dos formatos tradicionais.

Na agenda de investimentos, Gibbon destaca a Afya Intelligence, copiloto de inteligência artificial voltado à graduação médica.
A ferramenta utiliza notas, avaliações, feedbacks e outros dados acadêmicos para identificar riscos de desempenho e construir trilhas personalizadas de aprendizagem.
"Buscamos incorporar a IA não apenas como uma ferramenta de interação, mas como uma camada de inteligência capaz de personalizar experiências, apoiar decisões e gerar novos conhecimentos", afirma Gibbon.

Fechando o grupo das cinco primeiras colocadas, o Gran aposta na inovação como parte inseparável da estratégia de crescimento.
Para Rodrigo Calado, cofundador e vice-presidente, o diferencial competitivo da educação deixou de ser o acesso à informação, hoje amplamente disponível, e passou a depender da capacidade de organizar jornadas de aprendizagem mais eficientes.
"A informação solta não aprova nem forma ninguém.
O que transforma a vida do aluno é uma jornada estruturada", afirma.

Nos últimos anos, a empresa incorporou recursos de IA diretamente à plataforma de ensino.
Ferramentas como resumos automáticos, revisões, mapas mentais, exercícios personalizados e comentários de questões passaram a utilizar o conteúdo desenvolvido pelos próprios professores.
Desde fevereiro, essas funcionalidades acumulam mais de 4 milhões de utilizações, com avaliações positivas de 95% dos usuários.

Além disso, o Gran desenvolveu soluções para aumentar o engajamento dos estudantes, como o Cronograma com 1 Clique, e lançou uma versão premium de sua assinatura com recursos adicionais de mentoria e correção de redações assistida por IA.
"A inteligência artificial entra para potencializar o trabalho do professor, que segue como protagonista da construção do conteúdo", diz Calado.

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