Na onda do

Na onda do 'brazilcore', conheça a 'brazilian beauty' e saiba por que nosso país se tornou o queridinho do universo da beleza

Fonte: Bandeira da fonte

Na onda do brazilcore, tendência que valoriza símbolos, cores e referências da cultura brasileira bastante ligadas à moda, o conceito de beleza e suas múltiplas facetas dentro de um país continental também está ganhando novos contornos — e nomes, como b-beauty, uma abreviação de brazilian beauty.
Nos anos 2000, Gisele Bündchen redefiniu o visual das modelos, antes famosas pela estética heroin chic, e as praias cariocas ditavam o que era belo para o mundo, com um visual que todos queriam copiar: pele queimada de sol, marquinha de biquíni, barriga chapada e bumbum impecável.
Quase 30 anos depois, o quanto esse ideal de beleza no exterior mudou?
Gisele Bundchen
Reprodução/Instagram
“Não 100%, mas evoluiu”, diz a especialista em inteligência de consumo Alice Caetano.
“A imagem ainda está ligada ao corpo, mas, no pós-pandemia, o mundo se conectou com o nosso estilo de vida e energia.
A alegria é um diferencial cultural.”
O despertar da latinidade sem se render à era clean girl, diz a pesquisadora Marina Roale, da Consumoteca, fez com que nos apropriássemos da construção dessa nova beleza.
“Muitas vezes, fomos enaltecidos em um lugar exótico.
Agora, falamos de uma postura criativa, solar, de quem se cuida e também se diverte.”
Anitta
Divulgação André Nicolau
A analista de tendências Iza Dezon afirma que estamos reembalando o que já vivemos em décadas passadas.
Há um resgate do bronze, da sensualidade, da pele suada e do cabelo que funciona quase como um complemento ao look.
Mas não só.
Aliada à estética está a pluralidade.
Iza aposta em Anitta e Bruna Marquezine como embaixadoras da b-beauty.
“Temos a bunda, claro, mas também existe a espiritualidade, os saberes e a sensorialidade, como mostra a cantora em seu novo trabalho”, explica, citando o álbum “Equilibrium”.
“Bruna tem carisma, o jeito maroto, fofo, uma felicidade espontânea.” O futuro, continua a especialista, também tem a ver com a força das mulheres negras e da miscigenação.
“Elas estão redefinindo e colocando na roda o que entendemos hoje como beleza brasileira.
O cabelo, por exemplo.
Existem oito tipos de fios no mundo, e todos estão aqui.” Os símbolos permanecem os mesmos, mas a estética está menos “domesticada” pelo olhar gringo.
A b-beauty encontra coro em marcas brasileiras.
“É um movimento de posicionamento internacional de beleza e de wellness”, reforça Patricia Lima, fundadora da Simple Organic e idealizadora da B-Beauty & Wellness, plataforma criada para impulsionar a internacionalização da indústria.
“Somos o terceiro maior mercado consumidor do setor no mundo, temos uma indústria sofisticada, capacidade de pesquisa, tecnologia e inovação.
O Brasil é praia, corpo e sol, mas vai além com sua identidade multifacetada.”