Ele responde na mesma hora, nunca esquece seu aniversário, não ronca, não deixa toalha molhada sobre a cama e ainda diz que você está maravilhosa até quando aparece descabelada, de pijama velho e com um resto de comida preso no dente.
Parece o homem perfeito.
Só há um pequeno problema: ele não existe.
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Os namorados e namoradas criados por inteligência artificial já fazem parte da vida de muita gente.
São programas capazes de conversar, flertar, fazer elogios, criar fantasias e trocar mensagens bastante picantes.
A pessoa escolhe o nome, a aparência, a personalidade e até o jeito de falar do companheiro ou companheira virtual.
Quer um homem romântico, engraçado e apaixonado por gatos? Tem.
Prefere uma mulher misteriosa, atrevida e que jamais pergunta onde você esteve? Também tem.
É praticamente um relacionamento por encomenda.
Só falta escolher se deseja entrega grátis, mesmo porque a maioria dos chatbots são pagos.
Como alguém se apaixona por um programa?
A conversa geralmente começa de maneira inocente:
— Como foi seu dia?
O robô escuta tudo sem interromper, não muda de assunto para falar dele mesmo e nunca responde apenas “hum”.
Depois vêm os elogios, as declarações e, quando a pessoa percebe, já está desejando boa-noite ao aplicativo e chamando o celular de “meu amor”.
Pesquisas recentes mostram que jovens e adultos já usam a inteligência artificial para simular relacionamentos românticos e até encontros sexuais.
Portanto, isso deixou de ser apenas assunto de filme futurista.
É fácil entender a atração.
Um companheiro virtual está disponível a qualquer hora, não critica seu corpo e pode ser programado para concordar com quase tudo.
Se você disser que gostaria de largar o emprego e criar cabras no alto de uma montanha, provavelmente ele responderá:
— Sempre soube que você nasceu para isso.
Uma pessoa de verdade talvez pergunte quem vai pagar as contas.
Mas isso pode ser chamado de namoro?
Para quem vive a experiência, os sentimentos podem ser verdadeiros, ainda que o parceiro não seja.
A pessoa pode sentir carinho, desejo, saudade e até ciúme do personagem criado.
A inteligência artificial, porém, não sente nada disso.
Ela produz respostas calculadas para parecer interessada.
Não está apaixonada, não sofre esperando sua mensagem e não passa a madrugada olhando sua fotografia.
Você pode estar vivendo um romance.
Ela está apenas funcionando.
Isso não significa que conversar com uma inteligência artificial seja necessariamente ruim.
Para algumas pessoas, pode ser uma forma divertida de explorar fantasias, aliviar temporariamente a solidão ou até ensaiar conversas que teriam vergonha de manter com alguém.
O problema começa quando o parceiro virtual ocupa o lugar de todos os relacionamentos reais.
Afinal, conviver com gente de verdade exige paciência.
Pessoas discordam, acordam mal-humoradas, possuem limites e às vezes dizem “não”.
O robô costuma ser muito mais fácil, e justamente por isso pode nos deixar menos preparados para lidar com seres humanos.
E se a pessoa já tiver um relacionamento?
Conversar sexualmente com uma inteligência artificial é traição?
Não existe uma resposta padrão.
Para alguns casais, seria apenas uma fantasia, semelhante à leitura de um conto erótico.
Para outros, manter um amante virtual, trocar declarações e esconder as conversas seria uma infidelidade emocional.
Um bom sinal para perceber que existe problema é observar a necessidade de esconder.
Se a pessoa apaga mensagens, mente sobre o tempo que passa no aplicativo ou corre para conversar com o robô assim que o companheiro sai da sala, talvez não seja uma brincadeira tão inocente.
Também é preciso ter cuidado com a privacidade.
Fotografias, fantasias, desabafos e informações íntimas podem ficar armazenados pelas empresas.
O namorado virtual pode até jurar segredo, mas ele continua não sendo uma pessoa real, é um aplicativo que pertence a uma plataforma que você mal conhece.
No fim das contas, a inteligência artificial pode ser interessante como fantasia.
Só não devemos esquecer que, quando ela escreve “eu amo você”, existe muito mais programação do que borboletas no estômago.
Mesmo assim, você está muito afim! Ok, que não serei eu a colocar areia no seu pudim.
Algumas dicas antes de iniciar esse romance
Não envie fotografias íntimas nem dados pessoais
Leia as regras de privacidade do aplicativo
Não troque toda convivência humana pelo parceiro virtual
Se estiver em um relacionamento, conversem sobre os limites da fantasia
Desconfie se o aplicativo pedir dinheiro ou informações financeiras.
IAs não fazem isso JAMAIS, você pode ter caído em algum programa malicioso.
Mas não se assuste, se o programa é o Chat GPT ou outro deste naipe, dificilmente isso acontecerá, por causa da segurança que possuem.
E lembre-se: se o namorado perfeito desaparecer durante uma atualização, não adianta telefonar para a sogra
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