'Não adianta querer arrotar bala de prata, discurso fácil para as pessoas', diz Durigan

Fonte: Bandeira da fonte

Escalado para ser porta-voz de temas econômicos da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, atacou nesta sexta-feira (21) as propostas do principal candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro (PL), para o ajuste fiscal e colocou em dúvida a capacidade do opositor em implementar o que promete.

"Não adianta querer arrotar bala de prata, [fazer] discurso fácil para as pessoas", afirmou, em entrevista à rádio Metrópole da Bahia.
Ele comparava o comportamento deste governo com o do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, no diálogo com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Essa articulação entre Poderes é essencial para aprovar medidas de ajuste nas contas públicas.

"Vamos acreditar agora que a família Bolsonaro vai propor um conselho superior de tratativas fiscais para encaminhar pacificamente, no diálogo com o Supremo, medidas econômicas? Isso é crível? Ou é crível que a gente siga insistindo num equilíbrio entre ajustes de conta e valorização da nossa política social, colocando o valor do trabalho no centro da política?"
Durigan disse ainda que parte do mercado torce para que as forças políticas que governaram o país até 2022 vençam as eleições, embora aquele governo tenha aprovado medidas "irresponsáveis" do ponto de vista fiscal.
Citou como exemplo o calote dos precatórios, a retirada de tributos estaduais sobre os combustíveis e a elaboração de um orçamento 'fake', sem receitas suficientes para honrar as despesas previstas.

"Respondo para o mercado que não entendo que se apoie forças que acabaram com a seriedade fiscal em 2022", afirmou.

Em contraposição, ele disse que o atual governo obteve, no Supremo, o entendimento que "responsabilidade fiscal vale para todo mundo".
Ele se referia à decisão que mandou o Congresso Nacional encontrar formas de compensação para desonerações tributárias que havia aprovado sem indicar fontes de receita.

Segundo o ministro da Fazenda, todas as medidas de ajuste adotadas na atual administração foram construídas em diálogo com o Congresso.
Com isso, foi possível avançar na melhoria das contas públicas.

"O déficit estrutural caiu, está próximo de zero e mercado diz que é insuficiente", comentou.
"Estamos em trajetória de recuperação institucional e temos de seguir nessa linha."
O Brasil tem sido avaliado de forma positiva pelas agências classificadoras de risco, acrescentou.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Wenderson Araujo/Valor