'Não venderia para um sheik árabe mesmo por um valor maior', diz presidente do Fluminense sobre a SAF

Fonte: Bandeira da fonte

Com previsão de aprovar o projeto de SAF no segundo semestre deste ano, o Fluminense segue sem previsão de quando levará a proposta a votação para os sócios.
De acordo com o presidente Matheus Montenegro, o clube segue em reuniões internas para modular o formato final da proposta.
O que ele assegura desde já é que o maior atrativo não serão os valores, mas, sim, o comprometimento e a identificação dos investidores com o sucesso do tricolor.
- Deixar de ser um clube associativo exige buscar um investidor que tenha, no mínimo, identificação e compromisso com o clube - declarou Montenegro, que descartou abrir as portas para um investidor "forasteiro" mesmo que por muito dinheiro.
- Mesmo por um valor maior, eu não venderia o Fluminense para um sheik árabe.
É paradoxal, mas o futebol não foi feito para gerar dinheiro.
Nenhum clube consegue oferecer um retorno de investimento que compense a taxa Selic no Brasil.
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A afirmação foi feita durante o Rio Innovation Week, evento que conta com uma mesa intitulada "O que esperar do Fluminense de Matheus Montenegro".
E a SAF, claro, foi um dos assuntos mais comentados.
Em meio às crises enfrentadas pelas SAFs de Botafogo e Vasco, Montenegro procurou disassociar o projeto tricolor do dos rivais.
Segundo ele, cada cláusula está sendo discutida no detalhe.
Como, por exemplo, a possibilidade de empréstimos de jogadores sem que isso dependa de negociação.
- Eu desafio alguém a mostrar um processo de SAF mais transparente do que o do Fluminense.
Ao contrário do que ocorreu até aqui nos clubes que se converteram em SAFs, no Fluminense não há um ambiente que proporcione plena confiança na aprovação dos sócios.
Neste cenário de equilíbrio, Montenegro promete apresentar uma proposta realista.
Mesmo que isso tenha um custo de popularidade.
- A SAF pode até ser rejeitada, mas eu não vou dizer que o Fluminense vai virar o Real Madrid.
O objetivo é de longo prazo, porque, sem planejamento, a conta chega.
Relembre o projeto
Segundo a proposta inicial, a divisão das porcentagens entre SAF e associativo será definida pelo tamanho da dívida do clube no momento em que for feita a aquisição.
Com a atual, de R$ 871 milhões, o fundo teria 65%, e o associativo, 35%.
O valor deverá ser atualizado com o balanço de 2025.
Outra questão financeira é o desejo do clube em aumentar a primeira proposta (R$ 6,4 bilhões ao longo de dez anos no futebol).
Além de não ser um aporte imediato, esse valor conta com o crescimento na arrecadação de receitas do próprio clube nesse período.
Até o momento, existe a previsão de um aporte inicial de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões à vista e a outra parcela em até dois anos — com montante ainda não definido para abater parte das dívidas.
O investimento anual não é necessariamente de R$ 640 milhões desde o início, uma vez que começaria em torno de R$ 480 milhões e, durante uma década, cresceria gradualmente até atingir uma média próxima do valor total.
Se os acordos não forem cumpridos, uma das penalidades previstas na proposta é a suspensão imediata do recebimento dos dividendos.
Nas reuniões com os investidores, o tricolor vem discutindo outras punições para a segurança do planejamento.