Dois anos após "Barbie" se tornar um fenômeno global, arrecadar mais de US$ 1,4 bilhão nas bilheterias e receber oito indicações ao Oscar, a aguardada sequência do filme enfrenta um obstáculo decisivo: as negociações entre a Warner Bros.
Discovery e a equipe criativa ainda não chegaram a um acordo, colocando em risco o futuro da franquia.
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Segundo o The New York Times, o principal impasse envolve os contratos de Margot Robbie e Ryan Gosling.
O CEO da Warner Bros.
Discovery, David Zaslav, resiste a conceder aos atores novos contratos com participação nos lucros do filme.
Gosling, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por interpretar Ken, estaria buscando elevar seu cachê para US$ 20 milhões.
Um porta-voz da Warner afirmou ao jornal que o estúdio jamais voltou atrás em acordos que já haviam sido fechados.
A Warner precisa concluir um acordo com o elenco e a equipe criativa antes de dezembro, quando expiram os direitos que lhe permitem desenvolver uma continuação de "Barbie".
Caso isso não aconteça, os direitos retornam à fabricante de brinquedos Mattel, que poderá reiniciar o projeto do zero, com novos roteiristas, diretor, elenco e conceito.
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Em comunicado, os presidentes da Warner Bros.
Pictures, Pam Abdy e Michael De Luca, confirmaram que as negociações continuam.
"Temos um acordo de direitos com a Mattel e fizemos uma série de ofertas significativas para concluir os contratos da próxima 'Barbie'.
Infelizmente, até o momento não conseguimos chegar a um entendimento", disseram.
Segundo a reportagem do New York Times, ao longo dos últimos três anos a Warner apresentou cerca de meia dúzia de propostas à equipe responsável pelo filme.
A mais recente, descrita como uma das maiores ofertas já feitas pelo estúdio para uma produção, foi recusada pelos representantes dos artistas, que ainda não apresentaram uma contraproposta.
O segredo de Greta Gerwig
Outro elemento complica as negociações.
A diretora Greta Gerwig e seu marido e parceiro de roteiro, Noah Baumbach, já teriam desenvolvido uma ideia para a sequência, mas decidiram não apresentá-la ao estúdio enquanto os contratos não forem assinados.
Na produção original, uma exceção incomum em Hollywood ajudou a criar o atual impasse: Robbie, Gosling e Gerwig assinaram contratos válidos apenas para um filme, sem cláusulas que previssem continuações.
A estratégia foi adotada para convencer Gerwig a dirigir o longa, que passou anos em desenvolvimento antes de ganhar sua abordagem feminista sobre a famosa boneca.
Lançado em julho de 2023, "Barbie" tornou-se a maior bilheteria da história da Warner Bros., com mais de US$ 1,4 bilhão arrecadados mundialmente.
O longa recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, e consolidou Gerwig entre as diretoras mais influentes de Hollywood.
Também representou uma vitória estratégica para a Mattel, que passou a investir na adaptação cinematográfica de outras marcas de brinquedos.
Apesar do sucesso, Margot Robbie já havia demonstrado cautela em relação a uma continuação.
"Acho engraçado que hoje em dia a reação automática seja perguntar sobre uma sequência.
O filme não foi concebido para ser uma trilogia", afirmou a atriz à revista Variety em 2024.
Na mesma entrevista, Robbie explicou que Gerwig costuma dedicar toda a energia a cada projeto.
"Ela termina cada filme completamente esgotada, como se nunca mais pudesse fazer outro.
Não sei o que seria necessário para que ela voltasse a sentir vontade de revisitar esse universo", disse.
Sem previsão
Mesmo que um acordo seja fechado antes do prazo de dezembro, uma nova produção ainda deve demorar para sair do papel.
Robbie está filmando o prelúdio de "Onze homens e um segredo" para a Warner, enquanto Gosling foi confirmado recentemente como protagonista de um novo filme do personagem Ghost Rider, da Marvel, e também promoverá "Star Wars: Starfighter".
Já Gerwig deverá iniciar, no começo do próximo ano, a divulgação de sua adaptação de "As crônicas de Nárnia", produzida pela Netflix.
Nos bastidores, no entanto, a expectativa é de que as partes encontrem um consenso.
O histórico recente de Hollywood mostra que impasses semelhantes podem ser superados mesmo quando há interesses financeiros tão elevados.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a renegociação entre Sony e Marvel pelos direitos do "Homem-Aranha" de Tom Holland, que resultou em novos filmes de enorme sucesso comercial.
Para analistas do setor, uma sequência de "Barbie" tem potencial para repetir esse desempenho e beneficiar tanto a Warner quanto a Mattel.
