Nepal e China alertaram nesta quinta-feira para o risco de novos deslizamentos no Himalaia, enquanto dois lagos formados em lados opostos da fronteira ameaçam transbordar em uma região que ainda enfrenta as consequências da avalanche catastrófica desta semana.
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As operações de busca e resgate continuam nos vales e encostas cobertos de destroços, com mais de mil pessoas ainda desaparecidas após as inundações de quarta-feira atingirem regiões fronteiriças do Nepal e do Tibete, na China, deixando mais de 350 mortos.
Os dois países atribuíram o desastre ao colapso de uma geleira, que lançou rochas, gelo, lama e detritos nos sistemas fluviais da região montanhosa.
A autoridade de gestão de desastres do Nepal emitiu um alerta nesta quinta-feira informando que um lago formado pelo bloqueio de um rio por detritos no local das inundações está subindo e corre o risco de transbordar.
“Moradores das margens mais baixas [...], passageiros, equipes envolvidas nas operações de resgate e todos os demais envolvidos devem tomar cuidados especiais e permanecer em locais seguros, afastados das margens dos rios e das áreas de risco”, afirmou a autoridade.
A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem chegar nos próximos três dias a um lago já represado no lado chinês da fronteira, criando um alto risco de rompimento.
O pico do fluxo é esperado por volta de 1º de setembro.
A previsão de chuvas para a próxima semana deve agravar a ameaça, informou a imprensa estatal chinesa, citando o Ministério de Recursos Hídricos da China.
“O volume de água continua aumentando, assim como o risco”, afirmou Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do Ministério de Recursos Hídricos, à emissora estatal CCTV.
Uma vista aérea feita por drone mostra lama cobrindo edifícios e propriedades após as inundações devastadoras em Trishuli, no distrito de Nuwakot, Nepal, em 27 de agosto de 2026
REUTERS/Navesh Chitrakar
Diante do alerta, algumas equipes de resgate no Nepal começaram a se deslocar para áreas mais elevadas nesta quinta-feira.
Entre elas estava Pawan Koirala, que começou a se afastar do leito do rio com sua equipe de 13 pessoas após a emissão do alerta.
“Estamos aqui para realizar resgates e não queremos ficar perto da zona de perigo”, afirmou.
