O Nepal enviou mais 1.200 militares para as margens de rios entre os distritos de Rasuwa e Chitwan para reforçar as buscas por vítimas das enchentes que atingiram o país na quarta-feira.
Enquanto as equipes avançam em meio a fortes correntezas e áreas de difícil acesso, autoridades enfrentam outro desafio: o número de corpos recuperados já supera a capacidade dos necrotérios locais, e o estado de decomposição dificulta a identificação.
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A nova força foi mobilizada nesta sexta-feira para atuar em todas as áreas consideradas possíveis pontos de localização de vítimas, segundo o Gabinete do primeiro-ministro nepalês.
Os militares se concentram especialmente nas margens dos rios, para onde muitos corpos foram levados pela força das águas.
O distrito de Chitwan, ao sul da capital, Katmandu, tornou-se um dos principais pontos de concentração dos corpos arrastados pelas enchentes.
Segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, 221 corpos haviam sido encontrados na região até esta sexta-feira.
Em Nawalparasi East, também atingido pela correnteza, foram recuperados outros 134 corpos.
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"Apesar das fortes correntes dos rios e das condições geográficas difíceis, as equipes militares avançam continuamente nos esforços para localizar e recolher os corpos", afirmou o Gabinete do premier em comunicado.
Corpos em decomposição
A dimensão da tragédia, porém, levou os serviços funerários e hospitalares locais ao limite.
Em Chitwan, os necrotérios dos hospitais têm capacidade para armazenar apenas cerca de 30 corpos, segundo o chefe da polícia distrital, Rameshwor Poudel.
Diante da falta de espaço, autoridades transformaram um salão de um prédio do governo em um necrotério improvisado, com capacidade para cerca de 150 corpos.
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O local não possui sistema de refrigeração adequado.
Segundo Poudel, há apenas aparelhos de ar-condicionado, e as autoridades tentam conseguir gelo seco para preservar os restos mortais.
— Não há instalações de refrigeração.
Só há aparelhos de ar-condicionado — disse o policial.
A situação se repete em pelo menos outros dois distritos do país, segundo autoridades.
A infraestrutura limitada dos hospitais nepaleses, somada à escala das enchentes, tem dificultado o armazenamento e a identificação das vítimas.
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Poudel afirmou que dezenas de corpos chegaram às margens dos rios em partes, o que torna o reconhecimento ainda mais difícil.
As equipes policiais limpam os restos mortais e fazem fotografias, que são exibidas do lado de fora do necrotério improvisado para que familiares de pessoas desaparecidas possam tentar reconhecê-las.
Nesta sexta-feira, apenas dois corpos haviam sido identificados e entregues às famílias em Chitwan.
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Um deles era o de Kabir Lal Chaudhary, de 23 anos, que trabalhava para uma empresa de energia hidrelétrica a mais de 160 quilômetros rio acima quando foi levado pela enchente.
Seu irmão, Sugrib Tharu, aguardou cerca de duas horas no necrotério improvisado antes de receber os restos mortais.
— O corpo está se decompondo.
Se houvesse uma instalação de refrigeração, estaria em melhores condições — afirmou Tharu, enquanto seguia de ambulância para casa.
As enchentes e deslizamentos atingiram o Nepal na quarta-feira, provocando centenas de mortes e deixando milhares de desaparecidos.
*Com New York Times
