Enquanto equipes de resgate e forças de segurança do Nepal e da China buscavam sobreviventes e levavam ajuda emergencial às áreas atingidas por inundações nos vales do Himalaia, a destruição de estradas, pontes e sistemas de comunicação dificultava as operações.
Centenas de pessoas morreram nesta quarta-feira na tragédia considerada a mais devastadora registrada no Nepal desde o terremoto de 2015.
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A forte correnteza danificou dezenas de pontes e quase 40 quilômetros de estradas pavimentadas, segundo autoridades nepalesas.
Em algumas áreas, mais de 24 horas após o desastre, as águas ainda não haviam recuado completamente.
Aldeias e estradas ficaram cobertas por uma espessa camada de lama escura.
As áreas mais afetadas são de “extrema dificuldade de acesso”, afirmou a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês).
— Nesses vales montanhosos e íngremes, estradas e pontes são conexões fundamentais para comunidades remotas — afirmou Gordon Wilcock, diretor regional para a Ásia-Pacífico da Direct Relief, organização de ajuda humanitária sediada em Santa Barbara, na Califórnia.
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A entidade fornece suprimentos médicos, mochilas de emergência e itens de higiene para as comunidades afetadas pelas enchentes.
— O terreno montanhoso é uma barreira real para a entrega diária de suprimentos de emergência.
Os impactos das enchentes tornam isso ainda mais difícil — disse Wilcock.
As dificuldades de transporte também prejudicam a avaliação da dimensão total do desastre.
Parte da ajuda internacional chegou na forma de tecnologia de mapeamento.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou na quarta-feira que a União Europeia disponibilizou sua rede de satélites Copernicus para avaliar a área atingida e apoiar as operações de socorro no Nepal.
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As enchentes também danificaram a infraestrutura de energia e comunicação, dificultando o contato com pessoas nas áreas afetadas, informou o governo canadense.
Mais de mil pessoas estão desaparecidas nos dois lados da fronteira, de acordo com as autoridades nepalesas e a imprensa estatal chinesa.
Algumas das comunidades mais afetadas continuam isoladas, afirmou Rishi Raman Khanal, secretário-geral da Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal, em uma mensagem em vídeo publicada nas redes sociais.
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Wilcock afirmou que os socorristas trabalham contra uma janela crítica de 48 a 72 horas, período após o qual ferimentos graves podem se tornar fatais.
— Isso será muito difícil nesta situação, dependendo de onde as pessoas estão, dadas essas limitações de acesso — disse.
A Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal, maior organização humanitária do país, mobilizou equipes de emergência e voluntários para distribuir água potável, cobertores, colchonetes, abrigos de emergência e kits de primeiros socorros.
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Muitos desses suprimentos foram transportados por via aérea.
O governo do Nepal informou ter mobilizado helicópteros para as operações de resgate.
Wilcock disse ainda que empresas privadas que operam aeronaves normalmente utilizadas pelo setor de montanhismo também se juntaram aos esforços para transportar suprimentos e pacientes.
— Uma das prioridades imediatas das autoridades é reconstruir estradas e pontes essenciais e criar pontos de apoio para a distribuição de suprimentos críticos — acrescentou.
Organizações humanitárias também priorizaram o atendimento médico de emergência, a instalação de abrigos e o auxílio a famílias que foram separadas.
As autoridades e organizações de ajuda ainda avaliavam a dimensão total do desastre.
Cerca de 10 mil famílias precisavam de assistência imediata, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que citou autoridades nepalesas.
