Netanyahu diz que Israel não deixará Gaza até que Hamas esteja totalmente desarmado - QTU Questões do Universo

Netanyahu diz que Israel não deixará Gaza até que Hamas esteja totalmente desarmado

Fonte: Bandeira da fonte

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira que o país não retirará suas tropas das posições atuais na Faixa de Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado, contrariando um acordo anunciado recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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As declarações de Netanyahu lançam novas dúvidas sobre o acordo para o desarmamento do Hamas, visto como um possível avanço rumo ao fim da guerra.
Elas também representam uma rara demonstração pública de atrito com o governo Trump.
O acordo previa que o Hamas começasse a entregar suas armas e que Israel suspendesse os ataques e iniciasse a retirada das cerca de 60% da Faixa de Gaza que atualmente controla.
O plano se baseava no cessar-fogo firmado em outubro, que encerrou as principais operações militares e permitiu a libertação dos reféns restantes mantidos em Gaza, mas cuja implementação travou em outras frentes.
Netanyahu, que enfrenta uma disputa difícil pela reeleição em outubro, reiterou que o desarmamento deve ocorrer primeiro.
Segundo ele, as forças israelenses continuarão a fazer "o que for necessário para proteger a si mesmas, nosso território e nossos cidadãos".
"O governo Trump nos enviou um rascunho.
Nós não concordamos.
Não é o nosso texto.
Enviamos nossos comentários...
Essa é a nossa posição", disse Netanyahu em um vídeo publicado nas redes sociais.
Funeral coletivo para dezenas de mortos em ataque de 2023
Mais cedo nesta terça-feira, palestinos participaram de um funeral coletivo para mais de 100 corpos finalmente recuperados após um ataque israelense ocorrido em Gaza em 2023.
Mais de 300 pessoas morreram em 22 de novembro de 2023, poucas semanas após o início da guerra contra o Hamas, quando aviões israelenses destruíram um quarteirão residencial no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza.
Cerca de 40 corpos foram encontrados logo após o ataque, em buscas realizadas com ferramentas improvisadas e as próprias mãos, mas a maioria permaneceu soterrada sob os escombros.
As informações sobre o elevado número de vítimas em um dos ataques mais letais da guerra demoraram dias para chegar ao público, em meio ao caos que antecedeu o primeiro cessar-fogo.
No fim de semana, equipes de resgate escavaram os prédios destruídos e recuperaram os restos mortais de 112 vítimas, entre elas 40 crianças, segundo a Defesa Civil, órgão de resgate vinculado ao Ministério do Interior administrado pelo Hamas.
A entidade informou que outros 157 corpos continuam desaparecidos.
"O único crime desses mártires foi permanecer firmes em suas casas, acreditando que elas os protegeriam", afirmou à Associated Press um parente das vítimas, Taysir al-Hassayna, após as orações fúnebres.
Sobre os desaparecidos, ele disse que "é como se seus corpos tivessem evaporado sem deixar vestígios".
Palestinos carregam os corpos, envoltos em bandeiras palestinas, de integrantes das famílias Hassayna e Abu Sharia, mortos em um ataque israelense em 2023 e cujos restos mortais foram recentemente retirados dos escombros, durante o funeral na Cidade de Gaza, nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026
AP/Jehad Alshrafi
Cessar-fogo permite recuperação de corpos
Somente agora alguns dos corpos de pessoas mortas nos primeiros meses da guerra vêm sendo recuperados, graças ao atual cessar-fogo, que permite esse tipo de operação em partes devastadas da Faixa de Gaza.
Essas descobertas elevaram ainda mais o número de vítimas do conflito.
O ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251.
A ofensiva israelense em resposta matou mais de 73.377 palestinos, incluindo os mortos desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Pelo menos 7.400 pessoas ainda estariam sob os escombros, de acordo com relatos de familiares, disse à AP Zaher al-Waheidi, chefe do departamento de registros do ministério.
Segundo ele, o número real provavelmente é muito maior, já que, em alguns casos, famílias inteiras morreram em um único bombardeio, sem que restasse alguém para comunicar os desaparecimentos.
As pessoas homenageadas nesta terça-feira pertenciam a um conjunto residencial das famílias Hassayna e Abu Sharia, muitas delas aparentadas entre si.
A AP identificou ao menos 60 famílias em Gaza que perderam 25 ou mais parentes nos três primeiros meses da guerra.
Os restos mortais, envoltos em bandeiras palestinas, foram dispostos em fileiras no chão.
Muitos estavam identificados com fotografias e cercados por pétalas de flores.
Centenas de pessoas participaram das orações fúnebres, algumas sobre os próprios escombros.
Após a cerimônia, os corpos foram carregados em macas por uma rua estreita ladeada por edifícios destruídos e enterrados em um cemitério próximo.
Ataques continuam e reconstrução segue paralisada
Pelo menos 1.252 pessoas morreram em Gaza desde a entrada em vigor do atual cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde do território.
O ministério, subordinado ao governo do Hamas, mantém registros detalhados das vítimas, considerados em geral confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes.
Os dados não distinguem civis de combatentes, mas informam que mulheres e crianças representam a maioria dos mortos.
Israel afirma que seus ataques têm como alvo militantes que colocam soldados em risco, participaram do ataque de 7 de outubro ou cometeram outras violações.
Cinco soldados israelenses morreram desde o início do cessar-fogo.
O acordo apoiado pelos Estados Unidos, firmado em outubro, previa o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.
Também estabelecia o envio de uma força internacional de estabilização e a criação de uma administração palestina independente para assumir a governança e coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.
Israel sustenta que tudo depende da entrega das armas pelo Hamas, enquanto o grupo afirma que Israel precisa primeiro interromper os ataques e iniciar sua retirada do território.
Ambos acusam o outro lado de violar a trégua.
Gaza permanece amplamente devastada.
A maior parte dos cerca de 2 milhões de palestinos continua deslocada, muitos vivendo em acampamentos de tendas, onde a superlotação e as condições precárias favoreceram infestações de roedores e surtos de doenças infecciosas, como catapora.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, participa de uma sessão no Knesset, o parlamento de Israel, antes de sua dissolução para as eleições israelenses de 2026, em Jerusalém, 16 de julho de 2026
REUTERS/Ronen Zvulun/Foto de Arquivo