Na primeira reação oficial a um plano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para a Faixa de Gaza, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a proposta ainda é "um rascunho", e que não concordou com seus termos.
O plano foi revelado com certa pompa pelo chamado Conselho da Paz de Trump, e prevê desde o desarmamento do Hamas até a formação de um governo palestino e a retirada das tropas de Israel do enclave.
Mas os israelenses seguem reticentes.
— Mantenho-me firme quanto aos nossos interesses de segurança.
Não recuaremos de nossas posições atuais até que o Hamas seja completamente desarmado — disse Netanyahu, em vídeo publicado em suas redes sociais.
— Estamos instruindo os soldados das IDF (Forças Armadas) a fazerem o que for necessário para defender a si mesmos, nossos territórios e nossos cidadãos.
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Na semana passada, Trump anunciou que seu Conselho da Paz — formado pelo presidente americano para supervisionar o fim da guerra e a reconstrução em Gaza — havia chegado a um acordo de 20 pontos para o enclave, que previam a entrega das armas pelo Hamas, a criação de um governo tecnocrata local e o emprego de uma força internacional de paz.
Israel, por sua vez, retiraria suas forças do território "à medida que o desarmamento for concluído".
Hoje, os militares controlam cerca de 70% de Gaza, e fortaleceram sua presença através de postos de controle, barreiras e bases.
O Hamas chegou a confirmar um entendimento, mas os israelenses deixaram claro que, como disse um representante do Gabinete de Netanyahu na segunda-feira, o texto “não reflete as posições de Israel”.
— O presidente Trump e sua equipe acreditam que podem desarmar o Hamas e desmilitarizar Gaza, estamos analisando essa possibilidade — disse Netanyahu nesta terça-feira.
— Eles nos enviaram uma minuta, não concordamos com ela; não é a nossa minuta.
Enviamos nossas observações, antes que começasse toda uma campanha midiática sobre o assunto.
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A resposta tardia de Netanyahu apenas confirmou o mal-estar dentro do governo israelense com o plano — para integrantes do Gabinete de Netanyahu, o Hamas não tem qualquer intenção de entregar todas suas armas, o que, na prática, inviabilizaria a criação de um território desmilitarizado, como prevê a proposta de Trump.
Na semana passada, o grupo afirmou que só entregaria armas pesadas, como rifles e lançadores de foguetes, em uma hipotética etapa posterior da implementação do plano.
— Essa é uma decisão enorme que ele (Netanyahu) precisa tomar — disse Neil Quilliam, especialista em Oriente Médio da Chatham House, em Londres, à agência Associated Press.
— Com a perspectiva das eleições pairando sobre sua cabeça, e com vários ministros do Gabinete e líderes da oposição já aconselhando a não prosseguir com o acordo, acho que ele entende que fazê-lo provavelmente arruinaria suas chances de reeleição.
Ao longo do fim de semana, a insatisfação israelense com o plano se traduziu em bombardeios contra a Faixa de Gaza, apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado.
De acordo com as autoridades locais, 18 pessoas morreram apenas no domingo, incluindo uma criança de 9 anos.
"Dois dias de ataques em toda a Faixa de Gaza resultaram na morte de civis e na destruição de suprimentos médicos essenciais para a população", disse, na segunda-feira, o enviado do Conselho da Paz para Gaza, Nickolay Mladenov, na rede social X.
"Isso ocorre após intensos esforços do Conselho da Paz e dos mediadores (Egito, Turquia, Catar e EUA) para levar as facções palestinas em Gaza a concordar com um roteiro para a implementação integral do plano do Presidente Trump, visando à transferência da administração civil e ao desarmamento."
Na segunda-feira, Mladenov se reuniu com Netanyahu em Jerusalém, em um encontro descrito por ele como "construtivo de detalhado", e parece ter feito ao menos uma concessão ao premier: em comunicado, o Conselho diz que a retirada dos militares "para além da Linha Amarela", que demarca a área sob controle israelense em Gaza, acontecerá apenas depois do "desarmamento completo" do Hamas.
A Casa Branca e o Hamas não se pronunciaram sobre a alteração.
"A implementação será supervisionada pela Força Internacional de Estabilização e pelo Comitê de Verificação de Implementação, no qual tanto os Estados Unidos quanto o Conselho da Paz estão presentes", acrescenta o texto.
"O progresso contínuo rumo à implementação plena depende de cada lado cumprir suas obrigações sob o quadro acordado."
