O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu ter mantido contatos com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mas negou ter recebido dinheiro ou firmado contratos com o banqueiro.
Em vídeo publicado nesta quinta-feira, o parlamentar também afirmou que nunca se encontrou pessoalmente com Vorcaro e contestou a informação de que teria chamado o empresário de "lindão" em um dos áudios divulgados pelo portal ICL.
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— Eu nunca chamei ele de “lindão”.
(...) Eu não falo “lindão” em hora nenhuma — afirmou.
Segundo Nikolas, o contato de Vorcaro foi enviado a ele pelo pastor André Valadão, amigo do banqueiro, e estava salvo como "Dani Vorcaro".
O deputado disse que, por esse motivo, acreditava que o primeiro nome do empresário fosse Dani, por isso teria se referido a ele dessa forma na mensagem.
Continuando o vídeo, o parlamentar explica que uma das conversas ocorreu depois de uma publicação feita por ele, em abril de 2024, na qual cobrou, por meio da Lei de Acesso à Informação, esclarecimentos sobre o financiamento de um evento em Londres com a participação de ministros de tribunais superiores e do diretor-geral da Polícia Federal.
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De acordo com Nikolas, Valadão o procurou para dizer que Vorcaro não havia gostado da publicação.
O deputado afirmou que não retirou a postagem e que apenas explicou ao banqueiro que desconhecia a relação do Banco Master com o evento.
Nikolas também confirmou que utilizou aeronaves disponibilizadas por Vorcaro durante o segundo turno das eleições de 2022, quando participou de atos em apoio à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, porém, não havia à época indícios de irregularidades envolvendo o banqueiro, e ele desconhecia quem era o proprietário dos aviões.
— Se alguém quiser me ajudar com algum jatinho e não cometer crime daqui a quatro anos, eu aceito — disse.
No vídeo, o deputado também explicou o áudio em que pede a Vorcaro que converse com Thiago Rodrigues de Faria, seu advogado e ex-assessor.
Segundo Nikolas, Faria pediu que ele fizesse a ponte com o banqueiro para tratar da possível venda de um ativo minerário.
Um bem ou direito relacionado à exploração econômica de uma jazida mineral.
O parlamentar afirmou que apenas repassou o contato do advogado e que não conhecia os detalhes da negociação.
Disse ainda que Faria deixou de falar com Vorcaro quando vieram a público as suspeitas envolvendo o Banco Master.
— Eu nunca recebi um tostão do Vorcaro.
Eu nunca encontrei com ele — declarou.
Nikolas também reproduziu no vídeo uma resposta enviada para a coluna da Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo (a qual ele se referiu como "a Globo") em março deste ano, na qual afirmava nunca ter se encontrado com o banqueiro e não se lembrar de contatos telefônicos ou por mensagens.
Na ocasião, o deputado admitiu que uma conversa poderia ter ocorrido porque ambos tinham Valadão como amigo em comum, mas assegurou que não teria tratado de pagamentos ou contratos.
— Eu nunca neguei que tinha falado com Vorcaro.
Eu só não falei dessas conversas porque são literalmente irrelevantes — disse.
Ataques a Moraes, Gonet e Alcolumbre
Ao longo da gravação, Nikolas comparou seus contatos com Vorcaro às relações atribuídas por ele a integrantes do Judiciário, da Procuradoria-Geral da República e do Congresso.
O deputado mencionou o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, os cartões concedidos aos filhos do ministro e as mensagens nas quais o banqueiro teria consultado o magistrado sobre a possibilidade de deixar o país.
Também citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).
Nikolas ainda fez referência às festas de luxo promovidas por Vorcaro que, segundo relatos divulgados durante as investigações, reuniam autoridades e mulheres estrangeiras, entre elas suíças.
O deputado usou os episódios para sustentar que, diferentemente dessas autoridades, não mantinha uma relação pessoal ou social com o banqueiro.
O parlamentar acusou ainda a imprensa e seus adversários de explorarem os áudios para desviar o foco das suspeitas envolvendo Moraes e outras autoridades.
Segundo ele, as conversas foram divulgadas um dia depois de um vídeo no qual cobrou explicações do ministro do STF sobre as relações com Vorcaro.
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— Fico até lisonjeado de ser utilizado como cortina de fumaça diante do maior escândalo de corrupção e da maior crise institucional no STF — declarou.
Em seguida, Nikolas afirmou que novas mensagens poderiam ser divulgadas, mas assegurou que não apareceriam registros de encontros, pagamentos ou benefícios concedidos a seus familiares.
— Pode sair a mensagem que for.
Eu repito: não vai ter eu marcando de fumar charuto com ele, nem tomando uísque com ele, nem ficando em festa com prostituta suíça.
Não vai ter meu nome na lista de pagamentos do Vorcaro, não vai ter contrato feito com ele, nem com a minha esposa, e muito menos os meus filhos serão beneficiados pelo Vorcaro — disse.
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Na véspera, o presidente do Senado Federal saiu em defesa de Moraes e reclamou das críticas que recebeu de senadores por não pautar pedidos de impeachment do ministro.
Ao comentar o assunto, Alcolumbre fez uma referência indireta ao candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, ao citar os repasses que Vorcaro fez ao fundo americano que administrava o dinheiro do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.
— Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias — disse durante sessão do plenário.
—
Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme.
E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes.
