Layla Vallias coordenou a pesquisa com 3.298 pessoas das classes A, B, C e D
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A inteligência artificial (IA) começa a mudar a relação dos brasileiros de 50 anos ou mais com o mundo da tecnologia.
A fatia desse público que se conecta diariamente à internet subiu de 70% em 2021 para 87% neste ano.
No mesmo período, a parcela dessa faixa etária que usa ferramentas de IA saltou de 17% para 45%.
Os dados são da pesquisa Tsunami Prateado, realizada pela Data8, consultoria de pesquisa, tendências e inovação com foco na economia da longevidade.
A população dessa faixa etária já fazia uso diário de aplicativos bancários, compras e plataformas de streaming nos últimos anos.
Mas o avanço da IA fez esse público enfrentar os desafios do domínio e do uso seguro da tecnologia.
Entre 2026 e 2021, a parcela dos 50+ que permanece off-line caiu de 16% para 6%.
A pesquisa está na terceira edição e desde 2018 acompanha mudanças nos hábitos de consumo da população 50+.
Na edição de 2026 foram realizadas 3.298 entrevistas com homens e mulheres das classes A, B, C e D, em todas as regiões do país, entre 12 de janeiro e 8 de fevereiro.
A Data8 foi fundada em 2016 por Cléa Klouri e Layla Vallias, especialistas no comportamento do público maduro.
O recorte sobre digitalização também registrou crescimento no uso de aplicativos de bancos digitais.
“Não é mais inclusão digital”, diz Layla Vallias, coordenadora da pesquisa.
“Esse avanço muda a natureza do desafio enfrentado pelos 50+, que precisam desenvolver maior domínio e capacidade para lidar com questões como segurança, golpes e desinformação”, disse.
O desafio agora não é incluir os 50+, mas sofisticar o uso que fazem da tecnologia”
Segundo o estudo, 45% dos brasileiros com 50 anos ou mais usam assistentes virtuais e IA.
Essa tecnologia, no entanto, traz desafios para um público que nem sempre encontra produtos desenhados para suas necessidades.
É o que mostra outra pesquisa desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, que estudou a interação dessa população com chatbots.
O trabalho analisou questões de acessibilidade, usabilidade e segurança e resultou em diretrizes para o desenvolvimento de agentes conversacionais voltados a esse público.
Segundo Cynthya Letícia Teles de Oliveira, pesquisadora responsável pelo estudo, muitos serviços digitais ainda são desenvolvidos tendo como referência um usuário geralmente mais jovem e com maior familiaridade tecnológica.
Características associadas ao envelhecimento, como limitações físicas, motoras ou cognitivas, acabam não sendo consideradas na concepção dos produtos.
“Muitas vezes a acessibilidade entra como um ‘curativo’ ao final do projeto, de forma muito básica, sem tratar a causa do problema”, afirma Oliveira.
Para a pesquisadora, a chegada da IA torna a questão mais relevante.
Ferramentas generativas permitem acesso rápido a uma grande quantidade de informações, mas podem produzir respostas erradas apresentadas de forma convincente.
Também existe, segundo ela, receio entre parte dos 50+ de utilizar essas tecnologias por medo de golpes.
O desafio agora não está apenas na disposição dos 50+ para adotar novas tecnologias.
Para Oliveira, empresas e desenvolvedores precisam considerar esse público desde a concepção dos produtos, envolvendo usuários mais velhos no processo de criação.
No Brasil, 45% do público maduro usa IA
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