No Rio, Lula elogia Paes e Couto, e sai em defesa de Pedro Paulo após vaias:

No Rio, Lula elogia Paes e Couto, e sai em defesa de Pedro Paulo após vaias: 'Nunca me fez nada e merece minha confiança'

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira agenda de campanha à reeleição no Rio de Janeiro, neste sábado.
Ele esteve no Estádio Moça Bonita, em Bangu, acompanhado do candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD) e dos postulantes ao Senado Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT).
O prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri (PSD), também esteve presente.

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No evento, Lula reforçou a opção pela coligação com Paes e relembrou a aproximação dos dois em 2008, quando estiveram juntos em um palanque pela primeira vez.
No estádio, foi possível ver o desconforto de alguns militantes do PT com o acordo com o PSD, principalmente pela indicação de Pedro Paulo ao Senado, que chegou a ser vaiado por um pequeno grupo ao falar.

— Confesso que não gostava do Eduardo e ele de mim, mas quis o destino que em 2008 a gente se aproximasse.
De vez em quando a gente esquece de pensar no todo e comete erros.
Hoje posso dizer que, além de meu amigo, ele é uma necessidade para o Rio de Janeiro — disse o petista, justificando também o apoio a Pedro Paulo: — Ele nunca me fez nada e merece minha confiança, não está em jogo amizade.

Em seu discurso, Lula também deu destaque para suas propostas na área da segurança pública, tema que tem dominado o debate eleitoral no estado.
Ele também fez questão de elogiar o atual governador do Rio, o desembargador Ricardo Couto, que assumiu após a renúncia de Cláudio Castro, que chamou de “enviado de Deus para moralizar o estado com uma limpeza”.
— Vamos tirar o bandido do território de vocês e devolver ao povo.
Não vamos fazer carnaval e matar gente, vamos é prendê-los.
O tal do Fernandinho Beira-Mar custa o dobro do que formar qualquer menina médica.
Ou a gente investe em educação hoje ou amanhã vamos ter que investir em cadeia — disse o petista, prometendo ainda investir na indústria da Defesa, em inteligência artificial e transformar os hospitais federais do Rio em unidades de referência.
 
Lula não fez nenhuma citação direta ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mas brincou que seu opositor “quer vender as praias”.
Antes de sua fala, o petista fez questão de subir correndo a rampa que levava os convidados ao palco, em mais uma demonstração do seu vigor físico, tema que tem sido explorado em sua campanha. 
Já Paes usou seu discurso para tentar superar as barreiras que seu nome para o governo do Rio tem junto à militância de esquerda.
Ele também citou o pleito de 2008, quando foi eleito prefeito pela primeira vez, após vencer o candidato Fernando Gabeira (PV).

— Eu me lembro da nossa aliança em 2008, a turma do PT fica até com raiva de mim quando lembra.
Mas é como a roda de samba, a gente junta instrumentos para construir algo maior.
Não estamos aqui fazendo uma aliança de iguais, e não estou falando do meu relacionamento com o Lula, a gente virou amigo.
Mas lá em 2008 a gente aprendeu que ou a gente unia ou forças que faziam mal iam tomar conta do Rio de Janeiro, como tomaram.
E o que nos une aqui hoje é o desejo de salvar o estado e a compreensão de Lula de que o Brasil não se salva se o Rio não se salvar — afirmou Paes.
Mesmo com a presença da militância, a vinda de Lula ao Rio não foi suficiente para lotar o estádio do time do Bangu, que foi parcialmente ocupado.
Um dos momentos de maior empolgação dos presentes foi quando a mulher de Lula, Janja da Silva, cantou uma música em homenagem ao petista ao lado do cantor gospel e pastor Kleber Lucas.
Ela também discursou e logo no início de sua fala enfrentou problemas com o som.
— Esse som está ruim, acho que estão querendo me prejudicar — disse ao microfone.

Durante sua fala, Janja relembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e cumprimentou Anielle Franco, candidata a deputada federal pelo PT.
Ela também fez uma homenagem à Benedita da Silva, afirmando que a queria no Senado, mas não citou Pedro Paulo, também da chapa.

— Primeira mulher negra deputada federal e primeira mulher negra governadora.
Você representa muito e quero você no Senado Federal representando todas as mulheres do Brasil — disse Janja, que também destacou a necessidade do combate à violência contra a mulher.

Candidata do PT ao Senado, Benedita da Silva foi firme ao pedir para que os eleitores façam o voto casado nela e no Pedro Paulo e não se dispersem em outras candidaturas da esquerda.

— Vamos ajudar o Eduardo Paes a forçar o Rio de Janeiro um só, da favela ao asfalto.
O presidente Lula está fazendo muita coisa e precisa de um Senado que possa comungar as propostas que ele manda para a gente votar.
A união faz a força.
Eu e Pedro Paulo somos de partidos diferentes, às vezes pensamos diferente.
Mas nesse momento está em jogo a nossa vida.
Qualquer outro nome que possam votar fora dessa aliança poderemos amargar no futuro— destacou
Já Pedro Paulo lembrou sua atuação na Câmara como vice-líder do Governo e aproveitou para atacar os atuais senadores do Rio, todos do PL.
— Tenho muito orgulho de ter sido seu vice-líder da Câmara.
Estivemos juntos no Arcabouço Fiscal, isentando os trabalhadores do Imposto de Renda.
E temos que estar unidos para tirar o Rio de Janeiro da maior crise da sua história.
Temos dois senadores que são do PL que estão lá para defender terra plana e ser contra vacina.
Só querem lacrar na rede social e xingar o presidente.
Não podemos desperdiçar nenhum espaço de poder — afirmou Pedro Paulo.

No palanque, só puderam subir os políticos da chapa oficial da coligação, formada por Lula, Paes e os candidatos a senadores Benedita da Silva e Pedro Paulo.
Também estiveram presentes os candidatos a deputado federal Marcelo Freixo (PT) e Tainá de Paula (PT).

Ausência do PSOL
Em meio a bandeiras do PT, PCdoB e do PDT ficou evidente a ausência da militância do PSOL, que também não foi representado por seus quadros no evento.
Segundo o deputado federal candidato à reeleição Professor Tarcísio (PSOL), não houve uma determinação do partido que proibisse a presença no ato.
Ele disse ainda que a ausência foi uma opção pessoal dos políticos.

— A gente foi comunicado pela direção do PT que era um ato do Eduardo Paes com Pedro Paulo, Lula e Benedita.
Nós poderíamos ir, mas todo o destaque seria dos candidatos, que são nomes que estamos enfrentando.
Nosso candidato ao governo do estado é William Siri.
Seguiremos firmes na campanha do Lula e da Benedita, mas temos candidatura ao governo e ao Senado.
Então mantive minha agenda no interior e aguardo outra oportunidade com o presidente, em que o ato seja do Lula em que o PSOL tenha o seu espaço garantido, como deve ser— contou Tarcísio
Barrados da foto oficial, o candidato ao Governo pelo PSOL William Siri e a senadora Monica Benício estiveram em Bangu neste sábado, mas para panfletar pelas ruas do bairro.
Freixo, que já foi filiado ao PSOL, minimizou a situação.
— O evento é de uma chapa, é natural que estejam no palco os parlamentares desse grupo político.
Mas ele foi feito para o povo, então todos são bem-vindos — garantiu.