Analistas que acompanham o Banco do Japão (BoJ) apostam cada vez mais que o banco central encerrará seu atual ciclo de elevação das taxas de juros até o próximo verão.
A reunião de política monetária de julho de 2027 é vista como um prazo limite flexível para o momento em que o banco central teria maior liberdade para elevar as taxas.
A reunião seguinte, em setembro, é quando dois membros do conselho — a serem nomeados pela primeira-ministra Sanae Takaichi — deverão assumir seus cargos.
É provável que eles sejam defensores de políticas de reflação (retomada da inflação) e relutantes em aumentar as taxas de juros.
Nesse cenário, o número de defensores da reflação no conselho de política monetária, composto por nove membros, subiria para quatro, aumentando a possibilidade de uma maioria apertada de 5 a 4 votos a favor do aumento das taxas.
Ex-autoridades do BoJ preveem que a atual rodada de aumentos termine em um patamar entre 1,75% e 2%, acima da taxa atual de 1%.
O BoJ prepara-se para acelerar o ritmo de elevação das taxas, após uma intervenção coordenada no iene realizada pelo Japão e pelos Estados Unidos no mês passado.
Washington colaborou devido à preocupação de que uma onda de vendas de ienes e títulos do governo japonês pudesse desencadear turbulência no mercado global de títulos.
Em contrapartida, Estados Unidos esperam que o BoJ continue elevando a taxa básica de juros, uma medida que ajudaria a conter a desvalorização do iene.
Essa perspectiva reforça a expectativa do mercado de novos aumentos nas taxas.
O último aumento de juros pelo BoJ ocorreu em junho.
O mercado de “swaps” de taxas de juros já precificou mais dois aumentos de 25 pontos-base até janeiro do próximo ano, segundo dados da Totan Research atualizados às 15h15 de terça-feira (horário do Japão).
Isso aceleraria a frequência dos aumentos para um a cada três ou quatro meses, em comparação com o intervalo de aproximadamente seis meses observado antes da intervenção.
A taxa básica atingiria 1,5% em janeiro, deixando o BoJ a apenas um aumento de distância de sua meta estimada.
"O cenário básico para esta fase de elevação das taxas aponta para uma meta em torno de 1,75%", afirmou Kazuo Momma, economista-executivo do Mizuho Research Institute e ex-diretor executivo do BoJ.
O banco central estima a taxa de juros neutra em um intervalo de aproximadamente 1,1% a 2,5%.
Uma taxa de 1,75% situar-se-ia próxima ao ponto médio dessa faixa.
Momma prevê que o BoJ atingirá 1,75% em abril de 2027.
Caso se mantenha o ritmo de um aumento a cada três ou quatro meses, tal patamar estaria dentro do campo das possibilidades.
De fato, o mercado já precificou 2,7 aumentos de juros até abril, 2,9 até junho e 3,2 até julho.
Embora as expectativas do mercado sejam ligeiramente mais conservadoras do que a projeção de Momma, uma taxa básica de 1,75% até julho está entre os cenários esperados.
Isso abre a possibilidade de que o BoJ vá além, segundo Eiji Maeda, presidente do Instituto de Pesquisas do Chiba Bank e ex-diretor executivo do BoJ.
"O patamar de 1,75% parece ser o cenário básico para a taxa-alvo, mas, considerando o leve atraso nos aumentos, uma taxa um pouco mais alta, em torno de 2%, é perfeitamente concebível", afirmou Maeda.
Dados do mercado de “swaps” de taxas de juros indicam uma probabilidade de 20% de um quarto aumento da taxa básica até julho.
Hajime Takata e Naoki Tamura, atuais membros do conselho de política monetária do BoJ, encerrarão seus mandatos no fim de julho de 2027.
Ambos são defensores da elevação das taxas de juros.
O governo de Takaichi é visto como resistente a taxas básicas mais elevadas.
Caso ela permaneça no poder, estaria em condições de aumentar de dois para quatro o número de membros defensores de políticas de reflação no conselho do BoJ.
Se as decisões sobre a elevação da taxa básica dependerem de votações apertadas (placar de 5 a 4), isso transmitiria a imagem de um conselho dividido.
Alguns integrantes do banco central estão atentos a essa percepção, mas tal cenário seria evitado se a atual rodada de aumentos de juros fosse concluída até julho.
Outro cenário possível envolve a continuidade dos aumentos de juros para além do próximo verão.
A taxa básica poderia sofrer novos aumentos no outono do próximo ano e posteriormente, atingindo o limite superior de 2,5% da taxa neutra, segundo Momma.
"Se o percentual de aumento salarial definido nas negociações trabalhistas da primavera de 2027 superar claramente o dos últimos três anos, e se o risco de o núcleo da inflação ultrapassar 2% se concretizar, então esse seria o cenário", disse Momma.
As nomeações para os cargos de presidente e vice-presidente do BoJ ocorrerão na primavera de 2028.
Caso o banco seja forçado a decidir sobre aumentos nas taxas de juros por margens estreitas, tais medidas poderão influenciar a escolha dos novos ocupantes desses cargos.
