Nos bastidores de

Nos bastidores de 'EQUILIBRIVM II': como Anitta deu forma às ideias por trás do projeto

Fonte: Bandeira da fonte

Entre símbolos de ancestralidade, elementos espirituais e referências da cultura pop, EQUILIBRIVM II, segunda parte do projeto audiovisual de Anitta, constrói uma narrativa visual que traduz um novo momento da artista.
Fora das câmeras, a realização envolveu escolhas criativas, uma logística complexa de gravação e a parceria construída ao longo de uma década entre a cantora e a Ginga Pictures.
Christiane Torloni fala sobre a peça 'Dois de nós', surfe e 50 anos de carreira: 'Eu não desisti'
Paula Toller volta aos palcos em turnê com o Kid Abelha e fala sobre etarismo e envelhecimento: 'Estar infeliz com isso é uma briga perdida'
À frente da produção executiva, Mel Chapaval, sócia-fundadora da empresa, explica à Ela como as ideias de Anitta ganharam forma, detalha os desafios da realização e comenta as mudanças no processo criativo da artista.
O ponto de partida, segundo Mel, é sempre Anitta.
Antes das reuniões criativas e das definições técnicas, a cantora apresenta uma visão bastante definida para cada música, com referências de cores, luz, atmosferas e locações.
A partir desse material, a equipe transforma impressões subjetivas em uma narrativa visual.
"A Anitta chega com uma clareza de visão que é ótima para o nosso trabalho.
Para cada música, ela já tem cor, luz, sensação, locação na cabeça.
Nosso papel é pegar esse material, que já é bem rico, e transformar isso em uma linguagem audiovisual que traduza todos esses sentimentos", diz.
O que existe por trás de EQUILIBRIVM II, o novo projeto visual de Anitta
Divulgação Patrick Marinho
Embora a grandiosidade dos cenários e figurinos seja um dos elementos mais evidentes do audiovisual, Mel ressalta que uma parte significativa do processo acontece nos bastidores.
A realização exigiu um cronograma enxuto e uma organização precisa entre diferentes frentes.
"Tivemos menos de duas semanas de preparação.
Foram quatro dias de filmagem, com uma equipe girando em torno de 220 pessoas por dia, e só seis dias de pós-produção para fechar um filme de 35 minutos", revela.
Para otimizar o tempo da artista, a equipe manteve vários cenários montados simultaneamente.
"A gente sempre mantém pelo menos três sets prontos ao mesmo tempo.
Acredito que tenha sido o nosso projeto mais complexo até hoje", avalia Chapaval.
A dinâmica das gravações também influenciou o resultado final.
Como algumas músicas foram registradas nas mesmas locações, direção de arte, fotografia e figurinos criaram atmosferas distintas, fazendo com que cada sequência tivesse uma identidade própria.
"Quando as pessoas assistem ao curta, elas não sabem que é a mesma locação, só que mostrada de forma diferente e com figurinos diferentes", conta.
Anitta por trás de EQUILIBRIVM II: as escolhas que deram forma ao novo trabalho da cantora
Divulgação Patrick Marinho
A repetição de alguns elementos cenográficos foi uma escolha deliberada.
Mais do que uma solução prática, a estratégia ajudou a manter uma coerência visual ao longo do audiovisual.
"O chão de barro aparece em mais de um set.
A gente também colocou areia como piso na pedreira", explica.
"São ideias pensadas para reaproveitar materiais, otimizar o orçamento e manter uma coesão estética ao longo dos 35 minutos", acrescenta.
A sintonia entre Anitta e a Ginga Pictures também influencia a condução do processo criativo.
Mel destaca que a confiança construída ao longo dos anos tornou as decisões mais precisas e o desenvolvimento do trabalho mais direto.
"Já construímos um nível de confiança que deixa o processo bem mais certeiro.
Já nos entendemos", afirma.
Como Anitta colocou suas crenças e referências em cena em EQUILIBRIVM II
Divulgação André Nicolau
Essa proximidade ganhou ainda mais importância diante dos temas presentes no audiovisual, que envolvem religiões de matriz africana e culturas dos povos originários.
Mel relata que a formação da equipe levou em conta a vivência dos profissionais com esses temas.
"A estratégia sempre foi montar a equipe com gente que tem vivência real com esses temas.
Acredito que seja uma combinação disso que garante que o resultado tenha verdade, não só estética", observa.
Enquanto a primeira parte de EQUILIBRIVM explorava a paisagem natural de Ibitipoca como elemento central da narrativa, o novo trabalho aposta em um cenário predominantemente construído em estúdio.
A mudança deu ainda mais destaque à direção de arte, que passou a conduzir a criação dos espaços e elementos visuais do projeto.
"A pergunta era: como transformar um ambiente todo preto em algo interessante e com uma linguagem própria?", lembra Chapaval.
A resposta veio por meio de cenários criados especialmente para o audiovisual, como o cemitério vertical, a casa de barro, o vitral e o espelho d'água, além de elementos teatrais usados para conectar uma música à outra.
Dentro do universo de EQUILIBRIVM II: como Anitta transformou ideias em imagens
Divulgação André Nicolau
Para Mel, as diferenças entre os dois trabalhos também refletem uma transformação na trajetória de Anitta.
O projeto marca uma fase em que a artista está mais alinhada às próprias escolhas e convicções.
"Hoje a Anitta prioriza a própria satisfação e as próprias crenças muito mais do que correr atrás de fórmula de sucesso.
A clareza de visão dela também amadureceu junto", conclui.