A demanda por edge computing traz uma oportunidade de negócios para as operadoras de telecomunicações, na medida em que aumenta a demanda por aplicações baseadas em IA, agentes autônomos, vídeo analytics, automação industrial e serviços críticos, que requerem baixa latência, processamento próximo à origem dos dados e maior previsibilidade de desempenho.
“À medida em que aplicações de IA, automação industrial, IoT, vídeo em tempo real e análise de dados ganham escala, métricas como latência, disponibilidade, estabilidade, segurança e previsibilidade passam a ter impacto direto no negócio.
Para muitos projetos empresariais, não basta ter conectividade, é preciso ter uma arquitetura capaz de entregar desempenho consistente ponta a ponta”, diz Elmo Matos, diretor de core e redes móveis da Vivo.
Nesse contexto, as operadoras de telecomunicações têm um papel estratégico de integrar conectividade, cloud, edge, automação e monitoramento para habilitar aplicações críticas.
“Conectividade e computação passam a fazer parte da mesma equação, principalmente em ambientes corporativos que demandam resposta rápida, alta disponibilidade e segurança operacional”, reforça Matos.
Para o diretor da Vivo, as operadoras estão em posição privilegiada porque combinam ativos que são difíceis de replicar: rede móvel, fibra, capilaridade geográfica, transporte de dados, operação em escala e proximidade com clientes corporativos.
Matos enfatiza que a capacidade de integrar camadas, ou seja, acesso móvel e fixo, transporte, cloud, multicloud, edge, automação e inteligência de rede é que permite suportar novos casos de uso de IA, IoT, automação industrial e serviços digitais com maior previsibilidade.
Mário Rachid, diretor-executivo de soluções digitais da Claro Empresas, entende que as operadoras terão, além de um papel importante no edge computing, vantagens na otimização de recursos.
“Quando você faz o edge, além de resolver o problema da latência, você resolve também a questão do volume de dados, porque fica com esse volume mais distribuído e faz um investimento menor”, diz.
Além de operar seis data centers para clientes no eixo Rio-São Paulo, a Claro tem 17 mini data centers usados pela área de engenharia de rede.
“Nossa estratégia é usar parte desses data centers menores para criarmos data centers de edge”, conta Rachid.
Inicialmente, a operadora planeja instalar edge computing no Sul, Norte e Nordeste.
A Claro já comercializa uma solução de nuvem hibrida gerenciada (Claro U-Store), que permite executar aplicações que exigem baixa latência e processamento de dados local.
Rachid explica que a plataforma faz gestão em nuvem voltada à implementação e administração de ambientes de computação distribuída como uma camada de integração API First, garantindo interoperabilidade fluida entre as arquiteturas.
Na visão da TIM, a evolução do 5G, combinada com IoT, edge computing, cloud, dados e inteligência artificial, muda o papel das operadoras.
“Mais do que transportar dados, as redes passam a aproximar inteligência, processamento e tomada de decisão das operações dos clientes”, diz Marco Di Costanzo, CTO da TIM Brasil.
Segundo ele, a TIM já preparou sua arquitetura com serviços além da conectividade, atuando como habilitador da digitalização de setores da economia, como agronegócio, logística, indústria e utilities.
“A próxima fronteira da competitividade não está apenas em conectar pessoas e dispositivos, mas em conectar setores inteiros a dados, inteligência e decisões em tempo real.
É nessa direção que a TIM evolui: de uma operadora de conectividade para uma parceira tecnológica da transformação digital”, afirma Di Costanzo.
Os provedores regionais (ISPs) também terão papel importante nesse ecossistema, porque têm capilaridade e estão próximos do usuário final.
A Associação Neo, que reúne ISPs de diferentes portes entre seus associados, propõe transformar pontos de presença (PoPs) em data centers de borda para descentralizar a infraestrutura e responder à demanda por baixa latência.
“É uma forma de chegar rapidamente na borda e uma estratégia que favorece não apenas os associados da Neo, mas todo o ecossistema de telecomunicações, inclusive as grandes operadoras”, afirma Rodrigo Schuch, presidente da Associação Neo.
Um levantamento da Neo mostra que existem mais de 100 mil POPs espalhados pelo país, dos quais 4.280 são elegíveis a serem transformados em data center edge.
Para o filtro, a Neo considerou a localização, infraestrutura existente e tamanho.
Nova arquitetura digital amplia o papel das teles
Fonte:
