A nova estrutura de capital da Copel veio para dar garantias e espaços para a empresa, em função da necessidade de realização de investimentos de R$ 5 bilhões na expansão das hidrelétricas Foz do Areia e Segredo, disse o presidente da companhia, Daniel Slaviero.
Confira os resultados e indicadores da Copel e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360
Segundo ele, durante teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, a grande mudança foi a mudança do horizonte de 24 para 48 meses para que se pudesse acomodar tais investimentos.
As usinas venceram o leilão de reserva de capacidade, voltado para a segurança energética, com a ampliação da capacidade instalada de ambas, a partir da implantação de mais turbinas.
Em julho, a Copel anunciou que a meta de alavancagem, indicador que mede o grau de endividamento pela relação entre a dívida líquida e a geração de caixa (Ebitda), será de 2,9 vezes, com uma faixa de tolerância de 0,3 vez – situando-se entre 2,6 e 3,2 vezes.
A política de remuneração a acionistas também foi atualizada, com pagamento mínimo equivalente a 75% do lucro líquido e frequência mínima de pagamento de duas vezes por ano.
Slaviero disse não ter entendido reações de parte do mercado por causa da atualização da política de remuneração e da estrutura ótima de capital, já que esse movimento dá uma certa previsibilidade ao investidor da Copel.
“Não atualizar política de remuneração a acionistas é que poderia gerar algum tipo de pressão”, salientou Slaviero.
O diretor financeiro e de relações com investidores, Felipe Gutteres, destacou que a empresa pode trabalhar com uma banda mais alta de alavancagem diante do investimento de “altíssimo” valor que está sendo feito.
Leilão de baterias
Slaviero contou ainda que a Copel “tende a não participar” do leilão de baterias, o primeiro do país, a ser realizado em dezembro.
Segundo ele, os mais de 6 mil projetos cadastrados no certame, que somam algo da ordem de 300 gigawatts (GW) de capacidade, indicam que os retornos sobre os investimentos estarão abaixo das expectativas mínimas da companhia e que a competição será acirrada.
O executivo salientou que as taxas de retorno estão abaixo até mesmo das metas mínimas que a empresa possui para os leilões de transmissão.
Para ele, muitos projetos não param de pé.
“Cerca de 70%, 80% são projetos de papel”, afirmou.
A Copel também não deve participar do leilão de transmissão previsto para novembro, porque a empresa não vê lotes estratégicos ou com retornos que garantam “boa” alocação de capital.
