Nunes Marques defende "robustez" do sistema de votação em meio a pressão para reação do TSE a ataques às urnas - QTU Questões do Universo

Nunes Marques defende "robustez" do sistema de votação em meio a pressão para reação do TSE a ataques às urnas

Fonte: Bandeira da fonte

Em meio à pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Justiça Eleitoral reaja aos ataques ao sistema de votação e ao avanço da desinformação na campanha de 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, fez nesta segunda-feira uma defesa enfática das urnas eletrônicas e classificou o modelo brasileiro como um sistema marcado pela "robustez", "auditabilidade" e "permanente evolução tecnológica".
As declarações foram feitas na sessão de abertura do segundo semestre de trabalhos da Justiça Eleitoral.
Nesta semana, o TSE realiza a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, iniciativa realizada em conjunto com os tribunais regionais eleitorais para apresentar ao público o funcionamento das urnas eletrônicas e ampliar a transparência do processo eleitoral.
Sem citar diretamente os recentes ataques ao sistema de votação feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Nunes Marques afirmou que o objetivo da iniciativa é ampliar o conhecimento da população sobre o modelo brasileiro de votação eletrônica.
— É nesse espírito que damos início à Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, realizada pelo TSE juntamente com os TREs de todo o país.
Ao longo desta semana, serão promovidas demonstrações públicas da urna eletrônica, atividades educativas, visitas guiadas e ações voltadas ao esclarecimento da população sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.
O objetivo é ampliar o conhecimento da sociedade e reafirmar, por meio da transparência, a robustez, a auditabilidade e a permanente evolução tecnológica de um sistema que constitui patrimônio da democracia brasileira — afirmou.
O presidente do TSE também destacou que a Corte entra na reta final de preparação para as eleições de outubro e disse que o aumento do volume de ações exigirá dedicação integral dos ministros.
— Estamos a pouco mais de 60 dias das eleições gerais de 2026.
Ainda nesta semana, finalizamos o período das convenções partidárias.
À medida que o dia 4 de outubro se aproxima, cresce significativamente o número de processos submetidos a este tribunal.
O desafio é enorme e exigirá desta Corte dedicação permanente e esforço adicional de todos os seus integrantes — disse.
Segundo Nunes Marques, as prioridades da Justiça Eleitoral continuam sendo o fortalecimento da acessibilidade, da transparência e da experiência do eleitor.
— Estamos preparados para o trabalho que deve ser realizado com qualidade técnica, permanecendo como prioridades o fortalecimento das iniciativas voltadas à acessibilidade, à transparência e à experiência do cidadão, bem como a conclusão das principais entregas necessárias para a realização das eleições de 2026.
Ao encerrar o discurso, o ministro voltou a enfatizar a necessidade de ampliar a confiança pública no processo eleitoral.
— Transparência não é apenas um compromisso desta instituição.
É um dos pilares sobre os quais se sustenta a confiança da sociedade nas eleições brasileiras.
Pressão no STF
O discurso ocorre após ministros do STF defenderem, nos bastidores, que a atual gestão do TSE faça uma defesa mais contundente das urnas eletrônicas diante da escalada de declarações consideradas falsas sobre o sistema eleitoral.
A avaliação na Corte é que o tribunal precisa responder de forma mais firme tanto aos ataques às urnas quanto ao uso de inteligência artificial para disseminar desinformação durante a campanha.
O movimento ganhou força depois de declarações do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, que voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas ao comentar o processo eleitoral deste ano.
Integrantes do Supremo classificaram as falas como graves e defenderam uma reação institucional do TSE para preservar a confiança no sistema de votação.