O intestino virou assunto entre famosas: afinal, o que é disbiose? - QTU Questões do Universo

O intestino virou assunto entre famosas: afinal, o que é disbiose?

Fonte: Bandeira da fonte

A saúde intestinal ganhou espaço nas redes sociais, e, com ela, termos que antes ficavam restritos aos consultórios passaram a fazer parte das conversas do dia a dia.
É o caso da disbiose, frequentemente associada a queixas como gases, estufamento e alterações no funcionamento do intestino.
Relatos de famosas, como Mônica Iozzi, que já falou sobre ter enfrentado um quadro importante, e Gabi Brandt, que revelou um diagnóstico de SIBO, também ajudaram a despertar a curiosidade sobre o assunto.
Ube: o roxo virou a nova aposta do universo wellness? Saiba o que está por trás da febre
É possível engravidar depois da menopausa? Entenda o que acontece com a fertilidade
A popularização, porém, pode trazer algumas confusões.
Nem todo desconforto abdominal está relacionado à microbiota, e sintomas semelhantes podem aparecer em diferentes condições gastrointestinais.
Por isso, identificar a causa exige mais do que comparar o que se sente com relatos encontrados na internet.
A disbiose está relacionada a alterações no equilíbrio da microbiota intestinal, formada por trilhões de microrganismos que vivem no trato gastrointestinal e participam de diferentes funções do organismo.
Segundo o gastrologista Michel Fernandes, o interesse pelo tema pode ser positivo quando estimula a busca por informação, mas não deve substituir uma avaliação médica.
"A microbiota intestinal participa de processos importantes do organismo, mas sentir gases, estufamento ou alteração do intestino não significa automaticamente que a pessoa tenha disbiose.
Esses sintomas podem estar presentes em diversas condições e precisam ser investigados.
O diagnóstico deve considerar a história clínica do paciente e, quando necessário, exames específicos", alerta.
Quais sintomas podem estar relacionados?
Alterações na microbiota podem estar associadas a manifestações como distensão abdominal, gases, mudanças no hábito intestinal, desconforto e alterações na digestão.
O problema é que nenhum desses sinais, isoladamente, aponta para uma única causa.
"O intestino funciona como um sistema complexo e os sintomas não devem ser analisados isoladamente.
Constipação, diarreia, gases ou sensação de barriga estufada podem ter diversas causas.
Por isso, antes de cortar alimentos ou começar suplementos por conta própria, é importante entender o que está provocando aquele quadro", orienta.
Essa variedade ajuda a explicar por que o autodiagnóstico pode ser enganoso.
Um desconforto recorrente pode estar ligado à alimentação, a alterações funcionais do intestino ou a outras condições que precisam de avaliação específica.
Disbiose e SIBO são a mesma coisa?
Apesar de aparecerem juntas com frequência nas redes, disbiose e SIBO não são sinônimos.
A SIBO, sigla em inglês para supercrescimento bacteriano do intestino delgado, ocorre quando há uma quantidade excessiva de bactérias nessa região.
Já a disbiose diz respeito a alterações na composição ou no equilíbrio da microbiota.
"É muito comum encontrar essa confusão nas redes sociais.
SIBO e disbiose são conceitos diferentes e precisam de investigação adequada.
O fato de uma pessoa apresentar sintomas digestivos não permite concluir, sem avaliação, que ela tenha uma dessas condições", esclarece.
O caso de Gabi Brandt, que falou publicamente sobre o diagnóstico de SIBO, portanto, não deve ser usado como referência para interpretar outras queixas.
Da mesma forma, a experiência relatada por Mônica Iozzi representa uma situação individual e não permite estabelecer uma relação direta com os sintomas de outras pessoas.
Cuidado com as soluções encontradas na internet
A popularidade do tema também abriu espaço para dietas restritivas, probióticos e suplementos apresentados nas redes como formas de "desinflamar" ou "resetar" o intestino.
O problema é que seguir essas recomendações sem saber a origem do desconforto pode não resolver a questão e, em alguns casos, ainda dificultar a investigação.
"O intestino não precisa de soluções milagrosas.
Alimentação equilibrada, hábitos saudáveis e acompanhamento médico quando existem sintomas persistentes são muito mais importantes do que seguir protocolos encontrados na internet.
O tratamento precisa ser individualizado, porque aquilo que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra", recomenda.
Isso não significa que informações sobre saúde intestinal devam ser ignoradas.
Pelo contrário: conhecer o funcionamento do organismo pode ajudar a identificar mudanças que merecem atenção.
O cuidado está em transformar conteúdo de rede social em diagnóstico ou tratamento.
Quando procurar um médico?
Mais do que tentar descobrir pelas redes qual seria o nome do problema, o importante é observar a frequência e a intensidade das alterações.
Quando elas persistem ou começam a interferir na rotina, uma avaliação profissional pode ajudar a encontrar a origem da queixa.
"Quando alterações intestinais são frequentes, intensas ou começam a interferir na qualidade de vida, é hora de procurar um gastroenterologista.
Mais importante do que descobrir um nome para o problema pelas redes sociais é investigar a causa e tratar corretamente", ressalta.