A busca por uma vida sexual mais satisfatória tem levado muitas mulheres a olhar para além do estímulo físico.
Práticas que trabalham a relação entre corpo, mente e emoções, como a Kundalini Yoga, passaram a ganhar espaço entre pessoas interessadas em compreender o próprio desejo e a forma como lidam com o prazer.
A filosofia, que já despertou o interesse de nomes como Anitta e Demi Moore, propõe uma visão mais ampla da sexualidade, associada também à presença, ao autoconhecimento e ao equilíbrio emocional.
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Para a atriz, produtora e professora de Kundalini Yoga Gabriela Kulaif, protagonista do longa "BitterSweet", disponível na Apple TV, a dificuldade de chegar ao orgasmo muitas vezes está relacionada a fatores que vão além do corpo.
Segundo ela, a prática parte da ideia de que o prazer depende também da capacidade de relaxar, estar presente e perceber as próprias sensações.
"Na Kundalini Yoga, a energia sexual é vista como uma das forças mais poderosas do ser humano.
Ela é a energia criativa, a mesma que dá origem à vida, à criatividade e à capacidade de manifestar nossos sonhos.
O prazer físico faz parte dessa experiência, mas é apenas um aspecto.
Quando essa energia é vivida com consciência, amor e presença, ela pode nutrir não apenas o corpo, mas também a mente, as emoções e a conexão espiritual", afirma.
Quando a ansiedade interfere no prazer
A rotina acelerada, o excesso de responsabilidades e a dificuldade de desacelerar também podem refletir na intimidade.
De acordo com Gabriela, o estado constante de alerta provocado pelo estresse pode dificultar a entrega necessária durante uma relação sexual.
"O corpo guarda tensões, medos e emoções que muitas vezes bloqueiam o fluxo natural da energia.
A respiração consciente ajuda a regular o sistema nervoso, reduzindo o estado constante de alerta.
A meditação acalma a mente, diminui a ansiedade e aumenta a presença no momento.
Já a consciência corporal permite que a mulher volte a sentir o próprio corpo, percebendo sensações com mais profundidade", explica.
A professora diz que esse processo está relacionado ao funcionamento do sistema nervoso e à forma como o corpo responde aos estímulos.
"Na Kundalini Yoga acredita-se que, quando o sistema nervoso está sobrecarregado pelo estresse e pela ansiedade, o corpo permanece em estado de defesa, dificultando o relaxamento necessário para a entrega durante a relação sexual.
Muitas práticas de Kundalini têm como objetivo fortalecer o sistema nervoso, equilibrar o sistema glandular e acalmar a mente", detalha.
Nesse sentido, cuidar da saúde emocional pode ser uma parte importante da construção de uma relação mais confortável com o próprio corpo e com a sexualidade.
Respiração e consciência corporal
Para quem deseja experimentar a prática, Gabriela conta que pequenas mudanças na rotina já podem ajudar no desenvolvimento da atenção ao próprio corpo.
"Uma prática simples é dedicar de 3 a 11 minutos por dia à Respiração Longa e Profunda, inspirando lentamente pelo nariz, expandindo o abdômen e o peito, e expirando pelo nariz de forma completa.
Em seguida, permanecer alguns minutos em silêncio, observando as sensações do corpo sem julgamentos.
Essa prática ajuda a regular o sistema nervoso, aumentar a presença e fortalecer a conexão entre mente e corpo", revela.
Segundo ela, o autoconhecimento também influencia a maneira como a mulher vivencia a intimidade: "Quanto mais conectada uma mulher está com sua própria essência, menos ela busca validação externa e mais naturalmente consegue vivenciar intimidade, prazer e entrega."
Menos cobrança, mais presença
Outro ponto abordado pela Kundalini Yoga é a ideia de que uma vida sexual satisfatória não está necessariamente ligada à frequência das relações, mas à qualidade da experiência.
"Quando entendemos que a mesma energia sexual localizada no segundo chakra é também a nossa energia criativa, responsável não apenas pela procriação, mas pela capacidade de criar projetos, manifestar ideias e dar vida aos nossos sonhos, aprendemos a direcioná-la com sabedoria, em vez de utilizá-la apenas para o prazer físico", observa.
Para Gabriela, essa visão propõe uma mudança na forma de enxergar a sexualidade feminina.
"Segundo esses ensinamentos, um casal não precisa necessariamente de uma frequência elevada de relações sexuais para viver uma vida íntima plena; o mais importante é a qualidade da conexão, a presença e o equilíbrio dessa energia entre os dois", ressalta.
Ela pontua que esse olhar amplia a compreensão sobre o prazer e a relação da mulher com a própria vitalidade.
"Sabemos que uma mulher com energia vital equilibrada naturalmente experimenta mais vitalidade, magnetismo, criatividade e prazer", conclui.
