ONU reduz pela metade ajuda alimentar na Cisjordânia por falta de recursos - QTU Questões do Universo

ONU reduz pela metade ajuda alimentar na Cisjordânia por falta de recursos

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O Programa Mundial de Alimentos (PMA) afirmou nesta terça-feira que a falta de recursos está obrigando a agência a reduzir pela metade sua assistência alimentar na Cisjordânia ocupada, em um momento em que, segundo o órgão, a escalada da violência de colonos e as operações militares israelenses aumentam as necessidades da população.
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A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) vinha fornecendo alimentos, vales e dinheiro a 400 mil pessoas na Cisjordânia, principalmente em áreas rurais e no sul, incluindo localidades como Hebron, mas esse número será reduzido para 200 mil pessoas a partir deste mês, informou em comunicado.

“Restrições severas à circulação, demolições e deslocamentos generalizados na Cisjordânia prejudicaram os meios de subsistência dos palestinos e contribuíram para o aumento da insegurança alimentar”, disse Shaun Hughes, diretor do PMA para a Palestina, em entrevista coletiva em Genebra.

“Neste momento, deveríamos estar ampliando nossa assistência na Cisjordânia, e não cortando essas linhas vitais de apoio.”

O Cogat, órgão militar israelense que coordena a ajuda na Cisjordânia, encaminhou um pedido de comentário da Reuters às Forças Armadas de Israel, que não responderam imediatamente.

As contribuições de ajuda externa dos principais doadores ocidentais, incluindo os Estados Unidos, caíram acentuadamente de forma generalizada desde o ano passado, à medida que esses países priorizam gastos domésticos e com defesa.

A violência e a tomada de terras e recursos hídricos por colonos judeus militantes na Cisjordânia aumentaram durante os quase três anos desde os ataques contra Israel liderados pelo Hamas em 7 de outubro.

Órgãos da ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional relativo a ocupações militares.
Israel rejeita essa interpretação e considera a área disputada, e não ocupada.

Hughes afirmou que as organizações humanitárias não costumavam considerar a situação na Cisjordânia uma crise alimentar, mas principalmente uma crise de direitos humanos, mas que isso agora está mudando diante das crescentes pressões.

“Eles agora se veem sufocados, sem poder se deslocar livremente para ter acesso a terras ou empregos e, portanto, sem condições de comprar alimentos para suas famílias.
Eles enfrentam uma injustiça e dificuldades enormes”, afirmou.
Palestinos verificam os danos depois que colonos israelenses extremistas incendiaram máquinas de uma pedreira, segundo moradores, perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 21 de agosto de 2026
REUTERS/Mussa Qawasma

Outros grupos internacionais de ajuda, como a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), também prestam assistência aos palestinos na Cisjordânia, mas não estava imediatamente claro se assumiriam parte desse atendimento.
A agência também enfrenta graves restrições financeiras.

O PMA afirmou ainda que a falta de recursos está afetando suas operações em Gaza, onde presta assistência a 1,5 milhão de pessoas.
“Novos cortes serão inevitáveis a menos que sejam obtidos recursos adicionais”, afirmou.