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Open Finance simplifica o Pix no e-commerce

Fonte: Bandeira da fonte

O Open Finance atingiu a marca de 138,46 milhões de consentimentos únicos e 239,79 milhões de autorizações ativas para o compartilhamento de dados entre instituições financeiras.
Impulsionado pela consolidação desse ecossistema, o serviço de Iniciador de Transação de Pagamento (ITP) integrado ao Pix ganha cada vez mais tração no mercado nacional.
Na prática, o ITP funciona como um atalho seguro: ele permite que o usuário faça pagamentos e transferências diretamente no site, aplicativo ou e-commerce onde está navegando, eliminando a necessidade de abrir paralelamente o aplicativo do banco para ler QR Codes ou copiar e colar códigos.
É como um mensageiro: inicia e encaminha a transação, sem ter a custódia dos recursos.
A quantidade de transações via Pix por ITP saltou de 7,4 milhões em 2024 para 64,5 milhões em 2025, um aumento de mais de oito vezes.
Já o volume financeiro quase quintuplicou, chegando a R$ 15,3 bilhões em 2025, contra R$ 3,17 bilhões no ano anterior.
É o que aponta o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central em agosto.
O interesse do varejo por essa modalidade é estrutural: os comerciantes vêm incentivando pagamentos via Pix para reduzir as taxas de desconto dos cartões (MDR).
Levantamento da Bain & Company mostra que as lojas oferecem descontos médios de 4% a 5% para pagamentos no Pix.
Além disso, modalidades como o Pix no crédito vêm ganhando espaço - nelas, a transação é imediata para o recebedor, mas o consumidor parcela o pagamento com juros.
Apesar da expansão expressiva, a consultoria aponta que o principal gargalo do ITP ainda reside na fricção gerada pelo redirecionamento do usuário para o aplicativo do banco, etapa exigida para login e autorização da operação.
“O redirecionamento é hoje a maior fonte isolada de quebra de jornada e de dor dos clientes”, destaca André Mello, sócio da prática de serviços financeiros da Bain & Company.
Dados da consultoria indicam que as taxas de conversão nessa jornada giram entre 50% e 60%, bem abaixo do benchmark de 85% observado em jornadas intra-app, que não exigem a troca de ambiente.
Na percepção dos usuários, 55% relatam erros ou indisponibilidade durante o processo, enquanto 26% consideram a experiência complexa - um descontentamento ainda mais acentuado no segmento de pessoas jurídicas (PJ).
Jonatas Giovinazzo, presidente da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), diz que as dificuldades vêm diminuindo com a solução de questões técnicas.
“Ter uma interoperabilidade plena entre mais de 700 instituições participantes não é algo tão trivial.
Os índices de conversão já estão muito melhores do que há dois, três anos”, afirma.
Ainda assim, a conversão nas jornadas com redirecionamento, especialmente no e-commerce, segue aquém do potencial.
O Open Finance é a base para a IA nos setores financeiro e de pagamentos”
A grande aposta do mercado está na virada desse modelo.
“A tendência é que as próprias instituições implementem a jornada sem redirecionamento”, prevê Giovinazzo.
A tecnologia viabiliza inovações como o Pix por aproximação em carteiras digitais (wallets) e o pagamento com um clique no e-commerce, aproximando a experiência à de um cartão já cadastrado: após um primeiro consentimento, os pagamentos futuros dispensam o acesso ao aplicativo bancário.
Essa pauta é prioridade na Init desde sua fundação, em 2022.
Especializada em infraestrutura para o setor, a fintech Iniciador é responsável hoje por uma em cada três iniciações de Pix via Open Finance no país.
Segundo o CEO Marcelo Martins, a empresa atua tanto com licença própria quanto fornecendo tecnologia para 60 instituições autorizadas, incluindo marcas como Wise, CloudWalk, Genial, Stone e iFood Pago.
No iFood Pago, o papel do Iniciador foi viabilizar a jornada sem redirecionamento, chamada de pagamento por biometria.
Depois de vincular a conta bancária pela primeira vez, o usuário pode pagar o pedido diretamente usando biometria facial ou digital, sem precisar entrar no aplicativo do banco.
Conforme Martins, esse tipo de solução elimina etapas e torna o pagamento mais fluido e seguro.
O mercado brasileiro ainda reserva amplo espaço para inovações.
“O Open Finance é a base para a inteligência artificial nos setores financeiro e de pagamentos”, afirma Martins.
De olho nessa convergência, a fintech desenvolveu uma solução pioneira baseada em MCP (Model Context Protocol) voltada para pagamentos agênticos via Pix.
A tecnologia permite que assistentes virtuais de IA preparem e iniciem a compra, mantendo a autorização sob controle total do usuário.
A confirmação é feita por biometria e chave criptográfica vinculada ao dispositivo, além de camadas adicionais de segurança.
Já a Pluggy é uma plataforma que se conecta ao sistema financeiro e atua como ponte para soluções de gestão empresarial.
“Funcionamos como uma camada de interoperabilidade bancária”, afirma Bruno Loiola, cofundador e Chief Growth Officer (CGO) da empresa.
Hoje, a fintech atende mais de 500 clientes - em sua maioria fornecedores de sistemas de ERP (gestão integrada de negócios), contabilidade e BPO financeiro (terceirização de rotinas financeiras) -, focados principalmente em pequenas e médias empresas (PMEs).
Para além da iniciação de pagamentos, a plataforma permite integrar dados bancários para facilitar a gestão das empresas, automatizando a importação de extratos, a conciliação e o acompanhamento do fluxo de caixa.
Na vertente de transferências inteligentes via ITP, é possível programar e automatizar a movimentação de recursos via Pix entre contas de mesma titularidade em bancos diferentes.
Assim, uma PME com contas em várias instituições ganha eficiência.
“A automação representa economia de trabalho manual e evita erros, aumentando também a chance de sucesso das PMEs”, acrescenta Loiola.