Operação permanente aborda mais de 500 pessoas no Complexo do Ver-o-Peso em uma semana - QTU Questões do Universo

Operação permanente aborda mais de 500 pessoas no Complexo do Ver-o-Peso em uma semana

Fonte: Bandeira da fonte

Uma semana após o início da operação permanente, que ampliou a presença do poder público no Complexo do Ver-o-Peso durante as 24 horas do dia, mais de 500 pessoas foram abordadas pelas forças de segurança pública e outras 600 receberam serviços de assistência social da Fundação Papa João XXIII (Funpapa).
A iniciativa reúne secretarias municipais e outros órgãos com a proposta de atuar em segurança, ordenamento, zeladoria, desenvolvimento econômico, saúde e assistência social.

[[(com.atex.plugins.image-gallery.MainElement) operação Ver-o-Peso]]

Luciano de Oliveira, secretário municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade, disse que, nesse primeiro balanço da ação, foi possível observar um "aumento na sensação de segurança” da população, além de uma área mais limpa e uma diminuição da presença de pessoas que vivem em situação de rua nos arredores.
A prefeitura analisa se essa população está migrando para outros locais e quais seriam eles.
“E o mais importante é garantir minimamente que as pessoas que usavam desse cartão postal, seja para trabalhar, comprar produtos ou se alimentar, conseguissem fazer isso com mais naturalidade e de forma mais segura.
Passados esses primeiros sete dias, nós observamos esses objetivos como alcançados”, afirma.

A imagem em destaque mostra Luciano de Oliveira, secretário municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade.
(Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Ele explica que a Guarda Municipal de Belém e as equipes de Ordem Pública, da prefeitura, se dividiram para atuarem nessa localidade conforme os níveis de necessidade, prevenindo a prática de crimes.
“A Guarda ficou com essa parte da Feira da Farinha, Feira do Açaí e a Praça Dom Pedro II, e a Ordem Pública, também da prefeitura, tem intensificado a presença na área das boierias, na feira do Ver-o-Peso, principalmente na hora do almoço”, destaca.

De acordo com o secretário, desde que a operação passou a ocorrer em todos os turnos, inclusive na madrugada, houve uma diminuição no número de ocorrências de roubo e de pessoas sendo importunadas com arma branca.
Oliveira conta que a Polícia Civil, junto com a Polícia Militar, desempenha um importante papel nesse trabalho para “atacar nos canais que abastecem essa área com drogas e outros produtos ilícitos”.

A Polícia Penal também está presente na operação.
“Ela faz abordagem no ônibus e checagem nos sistemas prisionais para analisar se a pessoa está em liberdade condicional, se tem mandado de prisão contra ela e de possíveis foragidos”, diz o secretário.

A imagem em destaque mostra o interior do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC Móvel).
(Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Para monitorar toda essa região, existem câmeras de segurança do Centro Integrado de Operações (Ciop), do Sistema Integrado de Monitoramento (SIM) e do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC Móvel).
Luciano reforçou que esses equipamentos são utilizados na observação de “pontos estratégicos e atitudes suspeitas”.

Para garantir que a presença permanente do poder público concilie ordenamento do espaço com acolhimento e respeito aos direitos das pessoas, ele revelou que a Prefeitura de Belém pretende locar um imóvel na área e reformá-lo.  “A ideia é construir uma base fixa que possa ser usada pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal de forma integrada, garantindo de forma ininterrupta a presença policial por tempo indeterminado”, conclui Luciano.

Assistência social

Djane Amaral, presidente da Funpapa, diz que nessa operação ocorre o atendimento à saúde e social, com equipes de consultório de rua durante todos os dias.
“Já tivemos mais de 600 atendimentos nesses dias.
Nós percebemos que continua a situação da drogadição, que estamos atendendo.
Eles estão hoje recebendo refeição de restaurante popular, quanto no Casa Rua (unidade de saúde multiprofissional, especializada no atendimento de populações com maior grau de vulnerabilidade), além de ONGs que fazem parceria conosco no intuito de diminuir a vulnerabilidade das pessoas que estão na rua”, afirma.

A imagem em destaque mostra Djane Amaral, presidente da Funpapa.
(Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Ela conta que, quando chega à tarde, essas pessoas vão até o Espaço Acolher, que fica no bairro da Campina, procurar um lugar para se alimentarem e para dormir.
Esse local de acolhimento oferece 50 vagas por pernoite, distribuídas em 16 quartos e 2 adaptados para pessoas com deficiência (PcD), e funciona diariamente das 18h às 7h, oferecendo acolhimento noturno provisório, emergencial e excepcional, com permanência de até 12 horas por noite.
Djane revela que existe um projeto de reforma no Casa Rua, para transformá-lo em Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), com atendimento todos os dias.

Segundo Amaral, a maioria das pessoas abordadas aceitou os atendimentos sociais.
“Os que estão em extrema drogadição acabam uma ‘arredada’, mas ele não tem muita consciência daquilo que está fazendo, aceita a alimentação, mas a gente não consegue reinseri-los para nenhuma casa, porque às vezes nem documentos tem”, relata.

“Nessa população tem muita gente que não é de Belém, que vem em busca de emprego na capital e acaba morando na rua.
Estamos fazendo esse levantamento.
(...) Nesse momento, vemos se eles têm documento; caso não tenham, fazemos o encaminhamento para que tirem a documentação.
Todos os órgãos, inclusive a Defensoria Pública, estão mobilizados para tentar minimizar a situação de vulnerabilidade da população”, finaliza.