A bonança não chega para todos após as tempestades.
Os fortes ventos que atingiram os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, vanguarda de um sistema de mudanças meteorológicas, deixaram marcas na casa de um dos operários que passaram por momentos de pânico durante o trabalho no alto de um edifício de mais de 20 andares, no Rio.
Morador de Urucânia, entre Santa Cruz e Paciência, Wedson Sales era uma das pessoas do vídeo que viralizou mostrando pintores de um edifício do Barra Bali, na Zona Sudoeste, em pânico com as rajadas arremessando-os contra as paredes.
Ao chegar em casa, depois do susto, deparou-se com o lugar onde mora destruído pelo vento.
As telhas foram quebradas e partes do muro do quintal desabaram.
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-- Nessa situação que vivemos, do jaú voando e a gente correndo risco de vida, passavam várias coisas na minha cabeça: pensava em morte, achava que não ia ver mais a minha família, que não ia conseguir ser resgatado, recebi ligação da minha esposa dizendo que nossa casa foi destruída -- diz Wedson, que mora com Yasmin Cristina.
Nesta quarta, após a viralização do vídeo em que os pintores aparecem sendo arremessados contra um prédio a cerca de 20 metros do chão, a folga para descansar após o susto foi usada para tentar conter os prejuízos deixados pela ventania.
— O vento levou telhado, levou muro.
Foi uma extrema tristeza.
A gente lutou para construir, depois para manter...
-- lamenta.
Apesar das perdas, alívio
Imagens gravadas na quarta-feira pelo morador Paulo Edson Lamelha mostram Wedson e outros dois colegas, Leonardo Garcia e Vitor Silva, suspensos na estrutura que, com o supervento, entortou.
Eles foram jogados de um lado para o outro e contra o prédio.
Segundo Leonardo, foram "momentos de pânico".
Os dois homens que aparecem na gravação também fazem parte de sua equipe.
As imagens também mostram objetos caindo do andaime com as batidas.
Os trabalhadores contam que diariamente fazem checagem dos equipamentos de segurança e, no dia da ventania, isso também os resguardou.
— Estávamos com tudo: capacete, trava de segurança… — diz Leonardo.
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Imagens de outra moradora mostram outros trabalhadores já dentro do prédio, mas ainda em meio a fortes rajadas.
Uma delas também gravou a área de lazer do condomínio, onde uma cobertura do local em que ficam os brinquedos voou com a força do vento.
A empresa de engenharia responsável pelas obras, em comunicado, informou:
“Todos os colaboradores envolvidos estão bem.
A empresa prestou auxílio imediato após o ocorrido, acompanhou os profissionais e adotou as providências necessárias para garantir sua segurança e bem-estar.
Os colaboradores recebem os treinamentos e as orientações de segurança exigidos para a execução de trabalhos em altura, além de utilizarem os equipamentos de proteção correspondentes às suas atividades.
A situação ocorreu durante uma alteração severa e repentina das condições climáticas.
As atividades foram interrompidas, e a empresa permanece avaliando internamente o episódio e reforçando suas medidas preventivas.
A segurança dos colaboradores, moradores e demais pessoas presentes nos locais de trabalho permanece como prioridade da empresa”.
