Orquestração é o ‘próximo novo’ do setor financeiro - QTU Questões do Universo

Orquestração é o ‘próximo novo’ do setor financeiro

Fonte: Bandeira da fonte

Setor da economia privada que mais dedica recursos ao desenvolvimento de tecnologia no Brasil, a indústria financeira nacional vive um momento marcado por desafios e oportunidades únicos.
O sistema opera na fronteira mais exigente da tecnologia, que precisa apoiar o Pix na escala de bilhões de transações e a implementação acelerada da inteligência artificial (IA) e da IA Generativa, enquanto a regulamentação coloca os dados sob regras estritas e a superfície de ataque cresce a cada nova integração.

Como apontam os dados da pesquisa anual de tecnologia bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as empresas respondem a esse cenário com recursos: em 2026, pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em IA, Analytics e Big Data, um acréscimo de 8% em relação a 2025.
O objetivo é aumentar a eficiência das operações, o uso da inteligência para análise de dados, a redução do tempo de resposta para os clientes e a melhoria no atendimento, além de ampliar a detecção e a prevenção de fraudes.
Apresentados durante o Febraban Tech, maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro do país, os números indicam também que serão aplicados R$ 3,9 bilhões em migração para a nuvem, um crescimento expressivo de 30% em relação ao ano anterior.

Assim, as instituições financeiras consolidam os alicerces da próxima etapa da evolução tecnológica, permitindo o ganho de inovação em seus produtos e soluções.
Investir somente em instrumentos, porém, não é suficiente.
É preciso reger essa orquestra, com governança e capacidade de transformar convergência tecnológica em confiança operacional, de ponta a ponta.
Arquitetura de confiança
A adoção estratégica da tecnologia está no centro das atenções do setor, como mostrou a escolha do tema do evento: “Agentes inteligentes, liderança humana”.
Os debates do Febraban Tech deixaram evidente que a IA não está mais em fase de testes.
Ela já é utilizada em larga escala, inclusive em soluções de atendimento ao consumidor, com transcrição automatizada de ligações e em decisões estratégicas mediadas pelo uso de automação para acessar dados e gerar insights.
Nesse cenário, a governança é crucial.
“A resiliência deixou de ser um atributo de infraestrutura e se tornou uma decisão estratégica que passa a depender da coordenação entre rede, cibersegurança, nuvem, governança de dados e IA operando como um sistema único”, apontou Raquel Possamai, diretora para Mercado Financeiro da Claro empresas, que participou do painel “Resiliência conectada: como orquestrar a arquitetura da confiança”.
A necessidade de orquestrar diferentes elementos também se traduz em mecanismos capazes de manter as operações funcionando diante de falhas ou ameaças.
Para Adriano Volpini, diretor de Prevenção a Fraudes Financeiras do Itaú Unibanco, essa capacidade precisa estar incorporada à própria estrutura das instituições.
“Assim como um avião, que não pode cair, um banco precisa de redundância, procedimento e processo.
A resiliência é um investimento que gera perpetuidade e diferenciação para as empresas”, avaliou.
Essa visão aproxima a tecnologia da estratégia de negócios e amplia a responsabilidade sobre as decisões de investimento.
Para Caio Moreira Fernandes, chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central (BC), o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por uma mudança na forma como as instituições encaram o tema.
“A tecnologia não é mais algo a ser tratado internamente, mas como negócio.
Quando essa decisão é tomada, naturalmente a resiliência chega à diretoria colegiada das empresas”, reforçou.
Nesse processo, a IA desponta como uma das principais frentes de investimento.
O chefe do Departamento de Tecnologia do BC defende que o setor avance no uso de soluções automatizadas e inteligentes.
“Se eu tivesse que escolher uma prioridade em investimento, seria IA.
Precisamos ir além e fomentar o uso”, afirmou.
Raquel Possamai, diretora para Mercado Financeiro da Claro empresas
GLab/Leo Orestes
O mercado não precisa apenas de tecnologia; mas de integração, coordenação e execução.
A vantagem não vem da aquisição dos instrumentos, mas da regência da orquestra”
As lideranças que participaram do Febraban Tech 2026 concordam em um ponto fundamental: o setor financeiro vive uma fase de convergência digital.
Soluções de IA, nuvem, segurança e infraestrutura de rede deixam de operar de forma isolada e passam a exigir uma gestão integrada para sustentarem operações críticas de alta escala.
Diante da complexidade crescente, o desafio das instituições passa a ser a orquestração de todas as camadas tecnológicas.
“O mercado não precisa apenas de tecnologia; precisa de integração, coordenação e execução.
A vantagem não vem da aquisição dos instrumentos, mas da regência da orquestra”, finalizou Raquel Possamai.