Os jogos da vida - QTU Questões do Universo

Os jogos da vida

Fonte: Bandeira da fonte

A vida é um jogo, o jogo da vida, jogando pela vida: as metáforas abundam quando o vício, a dependência, em apostas é um dos maiores problemas do Brasil no momento, sem vislumbre de soluções à vista.
Talvez essa diversão perigosa tenha começado com Caim e Abel apostando um cacho de bananas se um mamute ou um dinossauro apareceria primeiro.
Por razões misteriosas e nunca explicadas, a pessoa acredita que esteja bafejada pela sorte, que tem poderes divinatórios, que sabe mais que os outros jogadores, que é uma querida de Deus.
E perde, porque a máxima fundamental do jogo é: a banca sempre ganha.
Porque a sorte é amoral, não tem critérios nem justiça, bafeja os bons e os maus em momentos aleatórios.
A esperança insensata de ganhar dinheiro sem trabalhar leva os jogadores a perderem na aposta um dinheiro que custou trabalho e tempo.
Eles sabem disso, mas continuam, não conseguem parar, como um dependente de cocaína espera a próxima fileira ou o alcoólico o próximo gole.
Parecem se esquecer de que trabalho, qualquer trabalho, gera um valor em dinheiro pelos minutos, horas, dias trabalhados.
Você dá seu bem mais precioso e irrecuperável, seu tempo, e também seu esforço, troca um pedaço de sua vida por um dinheiro — que vai perder no jogo.
Não é pouco.
O mais grave nessa epidemia de adição em massa à jogatina é a desmoralização do valor do trabalho.
É dinheiro que sai do consumo que gera empregos e renda e vai para o poço de apostas improdutivas, exploradas por empresas e pessoas improdutivas, em busca do lucro com a desgraça alheia.
Não, não são só os brasileiros que estão viciados.
As apostas em esportes também são uma crise nos Estados Unidos, movimentando US$ 160 bilhões no ano passado e gerando um aumento de pedidos de crédito e também da inadimplência.
E ninguém sabe lidar com o problema: a proibição, como foi a do álcool nos anos 1930, que gerou traficantes de bebidas e quadrilhas, levaria ao jogo clandestino, explorado por criminosos, e ainda pior, sem qualquer controle.
A epidemia se alastra pelo mundo, as exceções são a China, que proibiu radicalmente com penas severas (e lá ninguém ousa bancar apostas clandestinas), e os países islâmicos baseados em princípios religiosos.
Japão e Coreia do Sul permitem apostas em eventos limitados e com controle estatal.
No Brasil, onde todo mundo pode jogar em cassinos virtuais, ainda são proibidos os cassinos reais, que geram empregos, renda e impostos e permitem rigorosa fiscalização.
Religiosos, em nome da família, fazem lobby contra: o jogo destrói a família.
Mas agora é tarde, já está destruindo há muito tempo com as bets, não há mais razão para proibir os cassinos num país onde todo mundo pode jogar tudo o tempo todo.
Só a hipocrisia explica pastores postando contra o jogo e tantos evangélicos patrocinados por bets.
E por que o tradicional, histórico, familiar jogo do bicho, que tem absoluta credibilidade popular e faz parte da nossa cultura, não pode ser legalizado? Ou até estatizado, como nossas incontáveis loterias?