‘Os papéis que gostaria de ter feito agora serão de Denzel Washington

‘Os papéis que gostaria de ter feito agora serão de Denzel Washington', diz Morgan Freeman, aos 89 anos

Fonte: Bandeira da fonte

Morgan Freeman insiste que ainda não entende toda a comoção em torno de sua voz.
Aos 89 anos, o ator vencedor do Oscar já deu voz a Deus e a presidentes, além de ser o narrador preferido de muitos documentaristas.
Ainda assim, minimiza o impacto de seu barítono grave e imediatamente reconhecível.
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Freeman está prestes a se tornar um nonagenário, mas segue em plena atividade.
Ele volta a interpretar Edwin Mullins, secretário de Estado dos EUA, na terceira temporada do thriller “Operação: Lioness”, de Taylor Sheridan, no Paramount+, que também tem Zoe Saldaña e Nicole Kidman no elenco.
Além disso, sente que tem a missão de preservar o blues: é um dos fundadores de uma casa de shows dedicada ao gênero no Mississippi e produziu e narrou um álbum de blues que será lançado este mês.
Recentemente, conversou com o New York Times sobre trabalho, voz, ligação com o blues e critérios para escolher novos projetos.
Antigamente era raro ver grandes estrelas do cinema em séries de televisão.
Por que isso mudou?
Hoje há mais trabalho nas séries de streaming do que nos filmes destinados aos cinemas.
Se as pessoas podem ficar em casa assistindo a algo extraordinário, é isso que elas vão fazer.
É por isso que Warner Bros., Paramount, Hulu e todas essas empresas investem tanto em plataformas de streaming.
Em que momento você percebeu que sua voz era um instrumento tão único?
Ainda não percebi.
Só dizem isso para mim.
Com quantos anos você ouviu isso pela primeira vez?
Não sei...
80, 75.
Você fez algo específico para aperfeiçoar sua voz?
Não.
Apenas tento falar com clareza.
Só isso.
Você também mergulhou no mundo do blues.
Por quê?
O blues é, antes de tudo, um patrimônio fundamental dos EUA, e esse patrimônio pertence à população negra do país.
Nós o criamos.
Nós o mantivemos vivo — assim como o gospel.
Muitos cantores de gospel passaram depois a cantar blues.
O blues dava mais dinheiro que o gospel.
Os dois gêneros são inseparáveis.
Eu nunca sentei e decidi que isso seria uma missão na minha vida.
Simplesmente aconteceu.
Um dia eu estava em Clarksdale e vi dois mochileiros andando pela cidade procurando um lugar para ouvir blues.
Não havia nenhum.
Meu sócio e eu decidimos que isso era inaceitável.
Precisávamos fazer alguma coisa.
Então não posso dizer que essa sempre foi uma paixão de vida.
A necessidade se impôs.
Existe algum elemento essencial em um roteiro que o faça aceitar um papel?
É muito bom quando alguém oferece um trabalho acompanhado de um roteiro empolgante.
Mas, na prática, duas ou três coisas entram em jogo.
Quanto vão pagar? Se o pagamento for bom, você acaba relevando alguns problemas do roteiro.
Às vezes dá para apontar coisas que não funcionam muito bem, e, na maioria dos casos, elas acabam sendo ajustadas.
Existe algum papel que você ainda gostaria de interpretar?
Não.
Estou chegando aos 90 anos.
Então os papéis que eu gostaria de ter feito agora serão interpretados por Denzel Washington.
O que continua motivando você a fazer arte?
Penso como Clint Eastwood: “Não deixe o velho entrar.” Para isso, continue trabalhando.
Se você consegue sair da cama sem cair no chão, agradeça pelas bênçãos e siga em frente.
Vou continuar trabalhando enquanto puder — enquanto alguém me perguntar: “Você quer fazer este papel?”