Para inovar, setor químico investe em nanotecnologia e IA, sem descuidar da busca por sustentabilidade - QTU Questões do Universo

Para inovar, setor químico investe em nanotecnologia e IA, sem descuidar da busca por sustentabilidade

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Na Indorama Ventures - Indovinya, um novo passo na gestão do conhecimento elevou a produtividade
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A inovação no setor químico se orienta por diversos desafios simultâneos – entre eles, a busca por sustentabilidade e o uso de nanotecnologia e inteligência artificial (IA).
A Indovinya, uma divisão de negócios da Indorama Ventures dedicada a especialidades químicas, é um caso exemplar.
Campeã setorial na pesquisa Valor Inovação Brasil 2026, a empresa criou, entre 2023 e 2024, uma célula de P&D Digital, organizando o conhecimento experimental em uma base estruturada, mais conectada e reutilizável, que elevou em cerca de 30% a produtividade de seus cientistas.

Depois de internalizar a nova cultura baseada em digitalização, as equipes passsaram a usar no cotidiano os recursos de IA.
O Herbal AI Performer é um resultado da transformação digital.
Trata-se de uma ferramenta que usa redes neurais para prever a ficácia de herbicidas, reduzindo para 72 horas o tempo de análise que, antes, chegava a 30 dias.
Foi desenvolvido no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento global da empresa, em Mauá (SP), um dos locais de criação e teste de produtos e processos.
Em 2025, os produtos que a empresa classifica como sustentáveis responderam por quase 50% dos lançamentos e mais de 20% da receita, uma evolução em relação ao ano anterior.

“A inovação está no centro da estratégia da empresa, com governança, metas, indicadores e priorização contínua”, afirma Andrea Soares, VP Sênior de Negócios, Marketing e Inovação na Indovinya.
No ano passado, a empresa reduziu a complexidade operacional, simplificou fluxos e ampliou a autonomia e velocidade das equipes de P&D – sempre mantendo o rigor técnico e a governança para a tomada de decisão.
Segundo Andrea, inovação exige método, fluidez, colaboração e capacidade de ajuste ao longo do caminho.

Na White Martins, fabricante de gases industriais e segunda colocada no setor, o plano é que o uso de IA garanta 45% da meta de ganho de produtividade até 2031.
A ideia é equilibrar iniciativas inovadoras de curto prazo, pensando em ganhos operacionais, com as de médio e longo prazo, visando novos mercados, transformação digital e transição energética.
“Equipes multidisciplinares atuam com parceiros externos, como fornecedores, startups e clientes, para acelerar o desenvolvimento e a implementação das soluções”, diz o CEO Gilney Bastos.

Gilney Bastos, CEO da White Martins
Marcelo Correa
Adaptações motivadas por mudanças de mercado e avanços tecnológicos fortaleceram a cultura da experimentação e a tomada de decisão baseada em dados.
Bastos conta que os projetos inovadores são avaliados a partir de critérios como geração de valor, retorno financeiro, impacto ambiental, potencial de digitalização, escalabilidade e possibilidade de replicação.

Uma tecnologia que trouxe retorno para a empresa é a Smart, que maximiza a produção de oxigênio.
A ferramenta foi criada em 2025 para ajudar a unidade da White Martins em Juiz de Fora (MG) a atender a demanda crescente de clientes do Sudeste, especialmente na siderurgia.

A partir da união entre engenharia de processos, ciência de dados e automação inteligente, o sistema aprende o padrão de consumo do cliente e decide, em tempo real, o volume a produzir e o montante a converter em líquido.
A inovação acrescenta 30 toneladas diárias na produção.

A Unipac, empresa do Grupo Jacto, priorizou a digitalização e as parcerias entre os recursos mais importantes para inovar.
Como produtora de peças e embalagens plásticas, a companhia, em terceiro lugar na pesquisa, busca trabalhar de forma mais sustentável e, ao mesmo tempo, analisa as tendências tecnológicas de maior impacto para o negócio e os clientes.
“Ao longo de dez anos do modelo de inovação, aprendemos que há necessidade de constante atualização das metas estratégicas”, diz Gabriel Gonçalves, presidente da empresa.
Isso permite acompanhar a dinâmica de mercado, a evolução das tendências tecnológicas e os movimentos dos principais clientes.

Os projetos de P&D na Unipac têm alocação de recursos e equipes conforme suas características e horizontes de implementação.
Entre os principais resultados destaca-se o uso do tratamento a plasma em frascos de plástico, para elevar sua reciclabilidade.
Outro exemplo é uma etiqueta inteligente integrada ao selo das tampas, que oferece rastreabilidade e permite consulta pelo celular.

De olho na digitalização, a Unipac implementou ainda um projeto de Manufatura Inteligente, em parceria com outras empresas, para usar conectividade industrial, computação em nuvem e IA em um sistema de gestão da produção.

A Dow, em quarto lugar, adotou como tática desenvolver inovações para demandas específicas, em parceria com clientes.
A seleção e priorização dos projetos, conta Marcelo Cantú, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, segue um processo estruturado de governança.
Equipes multifuncionais avaliam cada iniciativa, desde a identificação da oportunidade até a comercialização.
“O modelo permite direcionar recursos, orçamento e talentos para os projetos que tenham maior potencial de geração de valor ao cliente e diferenciação tecnológica”, diz ele.

Em muitos casos, os aprendizados obtidos durante o processo levaram a ajustes.
Cantú conta que embalagens desenhadas para a reciclabilidade precisaram passar por adaptações nas formulações e incorporar novas tecnologias para garantir viabilidade em escala.

Hoje, 90% do portfólio busca menor emissão de carbono e energia limpa.
O centro de inovação no Brasil se conecta aos laboratórios na Argentina, na Colômbia e no México, e também à rede global de especialistas.
É possível replicar e adaptar soluções desenvolvidas em outras geografias para a realidade dos mercados locais.

Um dos projetos mais recentes da empresa, lançado na safra 2024/2025, é uma nova geração de controladores de espuma para a produção de bioetanol.
Os testes de campo indicaram redução média de 18% no uso de elementos químicos para controle de espuma e possibilidade de mais de R$ 25 milhões anuais de economia operacional para o setor no Brasil.

A empresa tem outra inovação para o agro na fase de prova de conceito: um espalhante com silicone, que diminui a quantidade necessária de defensivo agrícola na aplicação, ao fazer com que o produto se distribua de maneira mais uniforme pela superfície da planta.
A Dow também investe em novidades em materiais para infraestrutura, mobilidade, construção, embalagens e energia, sem perder o foco na circularidade e nos processos de descarbonização.

A Enaex Brasil, quinta colocada no ranking setorial, é uma empresa especializada em detonações controladas para o setor de mineração e construção civil.
“Os projetos de inovação da companhia podem surgir de demandas dos clientes, áreas operacionais, inteligência de mercado, universidades, startups ou da transferência de tecnologias já desenvolvidas pelo grupo em outros países”, diz Antoine Moreau, Gerente de Inovação e Marketing no Brasil.

O desenvolvimento de explosivos com densidade e energia ajustáveis, que permite ao cliente adaptá-los às características de cada ponto da rocha, passou por uma lógica de aprendizado.
Na preparação do piloto, ficou claro que era preciso considerar muitos outros fatores além do produto em si, incluindo processo de mistura, repetibilidade da densidade, logística e capacitação das equipes.

“Uma evolução na governança foi o entendimento de que não basta realizar reuniões de inovação trimestralmente.
Para manter velocidade e disciplina, foi proposta uma rotina com check-in contínuo das demandas”, diz o executivo.
Segundo Moreau, a definição do orçamento, dos prazos e das equipes para os projetos depende da maturidade de cada um.
“Iniciativas em fase exploratória recebem recursos menores e equipes enxutas.
À medida que comprovam viabilidade, avançam para pilotos mais estruturados, envolvendo diversas áreas”, afirma.