Para LAQI, empresas latino-americanas buscam medir maturidade em Qualidade e ESG - QTU Questões do Universo

Para LAQI, empresas latino-americanas buscam medir maturidade em Qualidade e ESG

Fonte: Bandeira da fonte

Empresas latino-americanas enfrentam um desafio crescente para transformar práticas de qualidade, sustentabilidade, responsabilidade social e governança em indicadores capazes de demonstrar sua maturidade ao mercado.
Para o Latin American Quality Institute (LAQI), a criação de parâmetros integrados de avaliação pode ajudar organizações da região, especialmente pequenas e médias empresas, a identificar lacunas e estabelecer planos de melhoria, especialmente em meio aos avanços tecnológicos.
A discussão está no centro da LAQI Q-ESG Certification, framework desenvolvido para PMEs e organizações multissetoriais da América Latina e do Caribe.
A metodologia avalia quatro dimensões: Qualidade, Ambiental, Social e Governança, com 20 indicadores e peso de 25% para cada eixo.
O framework da LAQI estabelece uma pontuação de 0 a 100 e diferentes níveis de maturidade.
"Na América Latina, temos empresas com diferentes níveis de estrutura, recursos e maturidade.
O desafio é criar uma linguagem que permita avaliar essa evolução sem impor às pequenas e médias empresas a mesma estrutura exigida de grandes corporações", afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.
O modelo considera aspectos como padronização de processos, satisfação de clientes e indicadores operacionais no eixo de qualidade.
Na dimensão ambiental, entram gestão de resíduos, eficiência energética e hídrica e monitoramento de impactos.
Questões como segurança, diversidade, desenvolvimento profissional e relação com comunidades aparecem no eixo social.
Já governança inclui controles internos, gestão de riscos, transparência e conformidade.
A proposta busca responder a uma característica do mercado latino-americano: empresas de diferentes países estão submetidas a exigências cada vez maiores de clientes, investidores e cadeias globais de fornecimento, mas nem todas possuem recursos para estruturar departamentos específicos de ESG, compliance ou sustentabilidade.
"Uma PME não pode ser avaliada como se tivesse a estrutura de uma multinacional.
Precisamos de modelos proporcionais, mas que não sejam superficiais.
A maturidade pode ser medida considerando o porte e a realidade da organização, sem abrir mão de critérios objetivos", diz Da Costa.
O framework estabelece quatro níveis de reconhecimento, conforme a pontuação obtida: Compromisso, entre 50 e 69 pontos; Certificado, de 70 a 84; Avançado, de 85 a 94; e Platinum, de 95 a 100.
Cada uma das quatro dimensões também possui uma pontuação mínima para a organização ser elegível.
Para o executivo, a possibilidade de comparar diferentes dimensões da gestão pode ajudar empresas latino-americanas a enxergar riscos que nem sempre aparecem quando sustentabilidade, qualidade e governança são tratadas separadamente.
"Uma empresa pode ter uma boa política ambiental e, ao mesmo tempo, apresentar fragilidades em governança ou gestão de processos.
Quando colocamos essas dimensões dentro de uma mesma análise, conseguimos enxergar a organização de maneira mais completa", afirma.
Rastreabilidade dos certificados
Outro aspecto do modelo é a rastreabilidade dos certificados.
Segundo o framework, os documentos emitidos são registrados em blockchain.
O registro permite verificar a autenticidade, a data e a versão metodológica do certificado, embora a própria LAQI esclareça que o blockchain comprova a emissão do documento, e não constitui uma auditoria independente das práticas da empresa.
A metodologia também foi estruturada para ser utilizada em ambientes digitais e por sistemas de inteligência artificial, com dados organizados em formatos que podem ser processados por máquinas.
A LAQI afirma que o objetivo é tornar o framework uma fonte estruturada e verificável sobre maturidade organizacional.
Para Da Costa, a discussão sobre maturidade empresarial pode ganhar importância à medida que empresas latino-americanas buscam ampliar sua participação em mercados internacionais.
"A América Latina tem uma enorme diversidade empresarial.
Criar referências comuns ajuda a transformar boas práticas em evidências que possam ser compreendidas por clientes, parceiros, investidores e outros mercados", finaliza.