Pará tem 771 mil eleitores com voto facultativo em 2026, aponta TRE - QTU Questões do Universo

Pará tem 771 mil eleitores com voto facultativo em 2026, aponta TRE

Fonte: Bandeira da fonte

O Pará tem 771.016 eleitores com voto facultativo, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), referentes a agosto de 2026, até o dia 3 deste mês.
Desse total, 488.692 têm 70 anos ou mais, enquanto 108.818 têm entre 15 e 17 anos, faixa em que o voto também é facultativo.

Entre os eleitores com mais de 70 anos, 203.827 têm de 70 a 74 anos, 136.140 têm de 75 a 79, 81.490 têm de 80 a 84, 41.978 têm de 85 a 89, 17.197 têm de 90 a 94, 5.690 têm de 95 a 99 e 2.370 têm 100 anos.
Entre os mais jovens, são 1.752 eleitores de 15 anos, 39.193 de 16 anos e 67.873 de 17 anos.

Entre os eleitores que devem votar neste pleito, aos 70 anos, o técnico em telecomunicações Claudio Sérgio Azevedo afirma que continua votando por considerar o ato uma forma de exercer a cidadania.
Segundo ele, mesmo com o voto facultativo a partir dessa idade, faz questão de participar das eleições e busca escolher candidatos que, na avaliação dele, possam melhor representá-lo.

“Eu quero exercer minha cidadania.
E eu faço questão de exercer.
É um direito que eu tenho de tentar eleger um candidato que possa atender às necessidades como cidadão.
Então, eu me sinto nessa obrigação, não por ter obrigação de votar, mas exatamente para ninguém votar por mim.
Eu tento escolher um candidato que possa ser eleito, que possa melhorar nossa situação”, afirma Cláudio Sérgio.

Nos domingos de eleição, ele conta que prefere votar em horários mais amenos, para evitar filas e participar do processo com tranquilidade, mas não deixa de comparecer.
Para ele, a participação nas eleições permite demonstrar o desejo de mudança e escolher candidatos que possam fazer a diferença.
“Eu sinto orgulho de pelo menos um votozinho de diferença ainda”, reforça Cláudio.

Experiência

Com a experiência de quem viveu diferentes momentos políticos do país, incluindo o período da ditadura militar, ele considera as eleições um símbolo do direito de escolha e da participação popular na definição dos representantes.
Ele relembra que a redemocratização e o atual período democrático reforçam a importância da cidadania no voto.
“Eu vivi a ditadura, passei por esse processo todo.
Fui para a rua enfrentar a polícia para lutar pelos nossos direitos trabalhistas, inclusive.
Fomos para a rua, pegamos empurrões e tudo, com risco até de sermos demitidos da empresa”, relata.

“Foi um momento muito difícil, que conquistamos com muita luta e muito sacrifício, para que, hoje em dia, nossos jovens, os mais novos, usufruam desses direitos que conquistamos com muita dureza.
Vem daí essa minha vontade de sempre tentar lutar para mudar um quadro e melhorar nossa situação.
E esse é um exemplo para nossos jovens, que só através do voto pode ser um, dois ou três, mas pode fazer a diferença no total.
Para tentar mudar essa situação”, acrescenta Cláudio.

Cidadania

Para o advogado especialista em direito eleitoral Gleydson Guimarães, mesmo sem a obrigatoriedade do voto, o principal motivo que leva esses eleitores a continuar participando das eleições é o exercício da cidadania.
Segundo ele, votar representa uma forma de ter voz na construção do país, escolher representantes e defender pautas que consideram importantes para suas vidas e comunidades, como saúde, educação e segurança.

“O voto, ainda que facultativo, segue sendo entendido por muitos como parte do compromisso de cada cidadão com a democracia.
Além dessa motivação mais pessoal, existe uma combinação de fatores institucionais que também ajuda a sustentar esse engajamento.
Entre abril e julho, o TSE promove campanhas explicando as regras da eleição e reforçando por que o voto importa”, comenta.

Estímulo à juventude

Os partidos, por sua vez, são obrigados por lei a dedicar parte do tempo de propaganda a estimular a juventude a se engajar na política, como detalha o advogado.
“E para os idosos, existem facilidades concretas: atendimento prioritário nas seções, com precedência total para quem passou dos 80 anos, além de recursos como legendas e tradução em Libras nos programas eleitorais”, observa.

“Com os jovens, o discurso caminha para educação política e inclusão, dentro de limites bem definidos: quem tem menos de 18 anos não pode atuar como mesário nem como fiscal de partido, e qualquer tentativa de convencimento no próprio dia da votação é proibida por lei.
Já entre os eleitores com mais de 70 anos, a conversa se volta para garantia de direitos e conforto, a legislação exige que as seções fiquem, preferencialmente, no térreo e livres de obstáculos, e não é raro ver candidatos reforçando compromissos com acessibilidade e transporte especial para quem tem dificuldade de locomoção”, acrescenta o advogado.