O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para receber uma nota oficial de protesto contra declarações do presidente Lula sobre a guerra da Tríplice Aliança.
A medida, anunciada em uma coletiva de imprensa do chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, é considerada um gesto de insatisfação diplomática.
Segundo o ministro paraguaio, o governo defenderá a "dignidade" e os interesses do país e informou que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre o episódio.
O governo brasileiro ainda não confirmou a conversa entre os dois chefes de Estado.
O tema também teria sido tratado com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante encontro em Lima, na posse da presidente Keiko Fujimori.
A posição do país vizinho ocorre em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina, após declarações de Javier Milei sobre o Brasil.
A reação do Paraguai foi motivada por um discurso de Lula, feito em 24 de julho, em Jacareí (SP), no qual o presidente afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai antes da Guerra da Tríplice Aliança ao defender investimentos na área de defesa.
As declarações provocaram forte repercussão no país vizinho, que considera o conflito um dos episódios mais traumáticos de sua história.
Nesta quarta, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou uma declaração de repúdio às falas de Lula, afirmando que elas distorcem e minimizam a dimensão histórica da guerra e ignoram o sofrimento imposto ao povo paraguaio.
