Parauapebas, sob gestão de Aurélio Goiano, enfrenta caos na saúde, denuncia sindicato - QTU Questões do Universo

Parauapebas, sob gestão de Aurélio Goiano, enfrenta caos na saúde, denuncia sindicato

Fonte: Bandeira da fonte

A saúde no município de Parauapebas, administrado pelo prefeito Aurélio Goiano (Avante), enfrenta uma série de problemas denunciados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde-PA), que representa agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE).
O sindicato aponta falta de equipamentos para o trabalho de campo, ausência e atraso de exames laboratoriais e condições precárias nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além da falta de profissionais e de equipamentos de climatização.
Profisisonais, inclusive, realizaram uma paralisação no meio desta semana em meio à escalada dos problemas.

De acordo com o coordenador do Sindsaúde-PA em Parauapebas, Marden Lima, o problema é crônico.
Além da falta da indenização de transporte prevista na Lei Federal nº 15.014/2024, os agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE) utilizam veículos próprios para realizar visitas domiciliares e arcam com os custos de manutenção e abastecimento.

“Essa categoria ainda padece com a falta de recursos tecnológicos, como tablets, para realização dos cadastros das visitas e alimentação das informações no sistema do Ministério da Saúde.
Muitos trabalhadores têm que utilizar seus próprios celulares ou notebook para a realização dessas tarefas, pois os computadores das unidades de saúde estão todos obsoletos e não são suficientes para atendimento da demanda das equipes de saúde da família”, denuncia.

Carência de estrutura 

Os agentes de combate à endemias realizam esses cadastros manualmente devido à falta de equipamentos e os entregam aos supervisores, segundo o coordenador do sindicato, que ficam responsáveis por inserir as informações no sistema do Ministério da Saúde.
Outro problema grave enfrentado pelas equipes de saúde da família é a falta de exames laboratoriais disponíveis para atender à demanda da população.

“Isso faz com que ocorra muitos agravamentos na saúde da população devido o não fechamento de diagnóstico e o não acompanhamento da saúde dos diabéticos, hipertensos e nos pré-natais das gestantes devido a falta ou atraso dos exames laboratoriais”, aponta Marden Lima.

Mas os problemas vão além.
“Atualmente, Parauapebas enfrenta um verdadeiro caos na saúde, com Unidades Básicas de Saúde insuficientes e sucateadas, falta de profissionais na saúde, equipamentos de centrais de ar, em sua maioria, sucateados e não funcionando, acarretando o fechamento de alguns consultórios, salas de triagem e salas de curativos devido ao desconforto térmico”, denúncia o representante do sindicato no município.

Promessa quebrada

Os agentes comunitários de saúde (ACSs) e agentes de combate às endemias (ACEs) de Parauapebas cobram, principalmente, o pagamento da indenização de transporte para os profissionais que utilizam veículos próprios durante as atividades.
Diante de uma série de problemas e reivindicações, as categorias iniciaram, na última terça-feira (1º), uma greve por tempo indeterminado, suspensa na quarta-feira (2) após um acordo com a gestão do prefeito Aurélio Goiano.
Ainda não há garantia, no entanto, do cumprimento das medidas acordadas.

“A greve teve início no dia 1º de setembro e foi suspensa pela categoria, em decorrência da gestão ter atendido a reivindicação, relativa a indenização de transporte, onde o acordo fechado com Sindsaúde foi o encaminhamento da minuta do Projeto de Lei até sexta feira [4 de setembro], para análise e aprovação do sindicato e em seguida o envio do PL à Câmara Municipal de Parauapebas, em regime de urgência, atendendo o percentual de 4,5% em relação ao Piso Nacional da categoria no exercício 2026 retroativo ao mês de setembro e a partir 01/01/2027 mais 5,5%, totalizando uma indenização de transporte mensal de 10% em relação ao piso Nacional”, detalha Marden. 

A greve não foi deflagrada de forma repentina, mas é resultado de uma sequência de negociações entre os trabalhadores e a Prefeitura.
A pauta é discutida com o município desde fevereiro de 2025 e já passou por dez rodadas de negociação, sendo três realizadas no Gabinete do Prefeito e outras sete na Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Mesa Permanente de Negociação do SUS.
“Diante do acordo firmado, os trabalhadores  retornaram às atividades no dia seguinte, dia 2 de setembro”, comenta.

Histórico acumulado

As denúncias envolvendo o prefeito Aurélio Goiano já têm um histórico enorme.
Em entrevista em novembro de 2025 ao Grupo Liberal, Maquivalda Barros (PDT) relatou que o gestor tem dificuldades de cumprir normas básicas que o cargo exige, incluindo o decoro de seguir a legislação e aquilo que rege a administração pública.
Na época, ela avaliou que Goiano não consegue compreender a importância do cargo que ocupa.

“É uma pessoa que tem imensa dificuldade de cumprir com as normas mínimas para administrar uma qualquer cidade, ainda mais uma cidade como Parauapebas.
É uma cidade que tem uma arrecadação bilionária, mas com problemas sociais imensos”, relatou a parlamentar durante a entrevista.

Na saúde, entre os diversos problemas, a vereadora lembra que já propôs seis ações populares e apresentou 11 denúncias ao Ministério Público, envolvendo desde a falta de publicidade das filas de espera por cirurgias e exames especializados até irregularidades na coleta de lixo e em contratos firmados de forma arbitrária e, segundo ela, superfaturados.

Posicionamento

A reportagem solicitou um posicionamento sobre o caso à prefeitura de Parauapebas sobre o caso e não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
O espaço segue aberto para manifestação.