Passageiros reclamam da falta de segurança em estações de metrô e trem na Zona Norte do Rio - QTU Questões do Universo

Passageiros reclamam da falta de segurança em estações de metrô e trem na Zona Norte do Rio

Fonte: Bandeira da fonte

A reportagem CBN recebeu inúmeras mensagens pelo WhatsApp e foi checar a falta de segurança em estações de metrô e trem de São Cristóvão e Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio.
Passageiros contam que o crime migrou para dentro do transporte público.
São relatos de assalto e até de arrastão em vagões e plataformas.
Umdetalhe chama muita atenção: os próprios vendedores ambulantes, que estão nos trens todos os dias, estão virando uma espécie de “alerta vivo”.
Eles avisam os passageiros para esconder o celular, segurar bem a bolsa, porque o risco de assalto aumentou.
A sensação de insegurança não é exagero.
No último fim de semana, quatro passageiros foram rendidos e assaltados por dois criminosos armados dentro de um vagão do metrô, perto da estação de São Cristóvão.
Os bandidos levaram celulares e documentos.
Uma ouvinte contou que a sobrinha foi vitima de um assalto dentro de um trem que seguia para a Central do Brasil.
"Então a minha sobrinha, na quinta-feira, passou por isso.
Mais ou menos uns dez garotos invadiram o trem.
Ela estava vindo de Nova Iguaçu.
E começaram a pegar os celulares dos passageiros, exclusivamente, mulheres.
E aí foram para perto dela.
Ela começou a gritar.
Eles foram para outra menina, coitada, que estava sozinha e arrancaram o celular dela e arrancaram o do menino quando a porta abriu, eles saíram correndo.
Tinha um monte de homem no vagão.
Ninguém fez nada".
Nas passarelas, nos acessos às estações e nas calçadas, ninguém anda tranquilo.
O celular fica escondido e a bolsa, bem presa ao corpo.
Kelen de Araújo foi assaltada recentemente e precisou mudar a rotina por causa do medo.
"Recentemente eu fui assaltada, né? Não aqui.
Fui assaltada em Olaria.
Aí eu tive que mudar a minha rota e agora eu venho de trem, de Caxias para cá.
Inclusive agora eu peguei o celular, olhei a mensagem e enfiei aqui dentro rapidinho, né? É essa sensação de insegurança que a gente tem o tempo inteiro.
E a gente não tem o que fazer, precisa do transporte público.
Pelo menos no momento que eu pego o ônibus aqui, sempre essa hora, entre nove e meia, dez horas, eu não vejo pulsamento aqui na estação, não".
É um cenário que atinge toda essa região, que conecta São Cristóvão, Praça da Bandeira e Maracanã.
Beatriz Monteiro também conversou com a reportagem.
Ela disse que dificilmente vê policiamento fixo nessas regiões:
"Venho de trem até São Cristóvão para pegar um ônibus para chegar no Vasco.
Então, é uma situação meio chata, né? Porque é muito triste você ter que ficar apreensivo o tempo inteiro, tanto dentro do trem quanto aqui na rua também, tendo que segurar seus pertences, porque pode vir alguém e pegar seu celular, roubar sua bolsa.
Não, eu não costumo ver nenhum tipo de policiamento.
Às vezes passa um carro de polícia, assim, mas nada que fique fixo, né? É muito perigoso ter que sair muito tarde do trabalho ou chegar aqui muito cedo também".
Ao percorrer esses locais, a reportagem percebeu a presença de policiais a pé nas saidas de trem e metrô de So Cristóvão e também na estação de trem da Praça da Bandeira.
E quem sai de um jogo à noite, seja em São Januário ou no Maracanã, enfrenta o mesmo medo de quem está simplesmente tentando voltar para casa depois do trabalho.
Os números oficiais também mostram esse aumento da insegurança.
Dados do ISP, referentes ao último semestre, apontam 891 roubos de rua na área da 17ª DP e arredores.
E os furtos a pedestres dispararam: foram de 28 para 110 ocorrências.
Os roubos de veículos também aumentaram 48%, passando de 50 para 76 casos.
Diante desse cenário, estamos cobrando respostas do MetrôRio, da SuperVia e da Polícia Militar.