Paulo Ricardo evoca o RPM em versão mais roqueira em festival - QTU Questões do Universo

Paulo Ricardo evoca o RPM em versão mais roqueira em festival

Fonte: Bandeira da fonte

Por cerca de uma hora, Paulo Ricardo, de 63 anos, fez aquilo que se esperava dele durante o festival C6 no Rock, no sábado: um show nostálgico até demais que animou a plateia entusiasmada que o assistia.

Ainda um homem charmoso, o cantor não exala mais aquela postura blasé que o tornou galã nos anos 80.
Hoje, é muito animado, simpático e brega.
Faz caras e bocas exageradas, usa sobretudo preto de couro debaixo de sol intenso e abusa das poses de rockstar.
Ele subiu ao palco para resgatar hits do RPM por meio de um repertório calcado em Rádio Pirata Ao Vivo (1986), executado na íntegra.
O álbum foi lançado sem muita pretensão ou planejamento, mas transformou a banda em fenômeno e se tornou um dos mais vendidos de todos os tempos.
O grupo, como se sabe, acabou por causa de uma série de rusgas, levadas até para a Justiça.
Nem por isso Ricardo renega as canções que o consagraram.
Sua banda atual tem verve mais roqueira, mas se apoia bastante no uso dos teclados e sintetizadores eternizados por Luiz Schiavon, grande arquiteto sonoro do RPM.
É ali que está o som pop que nos remete imediatamente à década oitentista.
Retrô
O clima retrô foi latente, por exemplo, em Revoluções por Minuto, London London (versão de Caetano Veloso) e Olhar 43.
Outro grande sucesso, Alvorada Voraz funciona como um dos mais certeiros retratos sombrios do Brasil de 1985/86 e da crise de identidade que afetava a nação no período de transição da ditadura militar para a redemocratização.

O show teria funcionado melhor se fosse à noite.
Ricardo, que cantou muito bem e também desfilou seu talento no baixo (de timbre assustador, no bom sentido), tentou resgatar os elementos visuais do espetáculo de outrora - uma vanguarda tecnológica na época -, mas os efeitos utilizados não impressionaram.
O auge, contudo, foi a despedida com Rádio Pirata, na qual o astro tenta "fazer justiça com as próprias mãos" e clama pela "revolução".
No meio da música, houve um ótimo interlúdio com citações a Light My Fire, do The Doors, All You Need Is Love, dos Beatles, e You Can't Always Get What You Want, dos Rolling Stones.
Com esta última, se apropriou de versos realistas que sublinharam suas ideias um tanto utópicas: "Nem sempre você consegue o que quer.
Mas, se tentar às vezes, pode descobrir o que precisa."
As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.