'Pecado contra criação': Comissão no Vaticano defende criação de novo pecado sobre crise climática - QTU Questões do Universo

'Pecado contra criação': Comissão no Vaticano defende criação de novo pecado sobre crise climática

Fonte: Bandeira da fonte

Um documento apresentado pela Comissão Teológica Internacional e com amplo apoio dentro do Vaticano, segundo a imprensa italiana, defende a criação de um pecado sobre a crise climática para aqueles que atentarem contra a natureza.
Seria o pecado 'Contra a Criação e o Criador' destacando que a questão ecológica também seria teológica, e a maneira como os humanos cuidam do meio ambiente revela e molda a relação com Deus.
O documento, intitulado 'Cuidar de nossa Casa comum – Resposta responsável e fraterna ao Deus trinitário', foi publicado nesta semana com autorização do papa Leão XIV.
A Comissão destaca alguns dados que considera 'muito alarmantes sobre a deterioração ecológica'.
Entre os assuntos levantamentos está a poluição da atmosfera, baixa qualidade de água, guerras que alimentam a destruição ambiental, fim de diversidades biológicas.
Segundo o grupo, isso atinge diretamente os mais pobres, que são os que mais sofrem com a falta de água potável e recursos naturais, além de serem forçados à migração.
Por isso, a comissão afirma que diante da crise ecológica 'sem precedentes' são necessárias soluções científicas, mas também uma mudança 'nos valores culturais'.
Por isso, a criação de um pecado sobre o tema seria fugir de um olhar mais científico para uma visão teológica e cultural da importância da natureza criada por Deus, segundo diz o grupo.
Para eles, o momento atual 'exige de todos, a começar por aqueles que são responsáveis pela vida pública, uma ação urgente em favor da sustentabilidade do planeta e da habitabilidade da Casa Comum.
Não se trata apenas de uma exigência ética, mas também teológica'.
Turistas passam pela Praça São Pedro, no Vaticano.
Reprodução
O documento ainda comenta que a fé precisa rejeitar o olhar do ser humano predatório, no centro da humanidade e 'dono absoluto de toda a criação' e, por outro lado, também a natureza como completamente absoluta.
A proposta é de um 'antropocentrismo situado', algo que já foi defendido por Leão e, anteriormente, pelo papa Francisco.
Nesse caso, o ser humano é 'administrador e servidor da criação' que precisa ter sempre uma 'atitude positiva e proativa em relação à natureza'.
A comissão destaca que todo esse trabalho não pode vir só da Igreja Católica, mas uma contribuição entre as diversas religiões e a ciência.
Há um levantamento de boas contribuições fora do catolicismo, como a interconexão de tudo que existe; respeito pelos seres vivos; e um entendimento sobre a responsabilidade que o homem possui.
'Do ponto de vista da fé cristã, as portas estão abertas para uma colaboração inter-religiosa na tarefa comum de cuidar respeitosamente de toda a Criação'.
O texto completa dizendo que a ecologia é uma responsabilidade moral humana para moldar a maneira como os humanos se relacionam com Deus.
O texto então afirma que é necessária uma 'virada ecológica'.
Papa Leão XIV durante apresentação de sua primeira Encíclica "Magnifica Humanitas", focada na ascensão da inteligência artificial, no Vaticano.
Alberto Pizzoli / AFP