O antropólogo Gilberto Freyre pode até ter popularizado o conceito de “futebol-arte” nos anos 1930, mas quem realmente enxergou arte no futebol é o americano LJ Rader na década de 2020.
E não só neste esporte: também no tênis, no basquete...
É o que este americano mostra em “Art, but make it sports” (ou “Arte, só que esportiva”, em tradução livre).
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A iniciativa de comparar pinturas e esculturas a competições reais é um sucesso no Instagram (@artbutmakeitsports) e no X (@artbutsports) e até virou livro em abri, em parceria com a agência de fotos Getty Images (disponível na Amazon por compra internacional).
LJ foi, inclusive, listado pela revista Time, neste mês, como um dos 100 criadores de conteúdo mais influentes da internet em 2026.
O projeto ganhou ainda mais tração com a Copa do Mundo masculina — quando até os Ronaldos, Nazário e Gaúcho, no show da final, foram contrapostos à arte abstrata contemporânea de Suzan Frecon em “Cathedral series, variation 8”, de 2011.
Outro exemplo foi o encontro do britânico Jude Bellingham e do norueguês Eeling Haaland nas quartas de final espelhado com “Lamentação de Cristo”, do holandês Gerard David, pintado entre 1515 e 1523 e hoje exposto na National Gallery, de Londres.
—Tenho capacidade de reconhecer padrões e uma boa memória fotográfica — diz LJ ao GLOBO por chamada de vídeo.
— Por exemplo, quando vi a imagem do Trump (em campo, no dia da final) imediatamente pensei em “Os comediantes italianos” (de Antoine Watteau, de 1720) e os coloquei lado a lado.
Sem uso de IA
Morador de Nova York e mais fã de futebol feminino do que masculino como a maioria dos americanos, ele trabalha com esportes “desde sempre”.
É vencedor de um Emmy pela cobertura, na rede de TV NBC, das Olimpíadas de Inverno de Sochi , na Rússia, em 2014, e hoje trabalha numa empresa de dados sobre este universo.
— Sempre vi as coisas pelo prisma dos esportes e, na época em que o Instagram estava ficando popular, achava meio bobo as pessoas postarem fotos de si mesmas — conta ele.
— Pensei que seria engraçado compartilhar imagens de arte, mas com legendas esportivas.
Fiz isso por vários anos na minha conta pessoal e, com o tempo, amigos me estimularam a criar um espaço só para isso.
As postagens do “Art, but make it sports” começaram, então, com jogos de basquete da NBA e depois abarcaram outras modalidades.
O torneio de tênis US Open, que começa em 30 de agosto, vai ser o próximo evento usado para abastecer os feeds.
A Copa feminina no Brasil, no ano que vem, já está nos planos, que não têm, ele garante, qualquer ajuda da inteligência artificial.
—A primeira coisa que as pessoas pensam é que uso IA.
Escuto isso todos os dias.
Mas a conta no Instagram existe antes de todas essas ferramentas.
A inteligência artificial, diz LJ, tiraria todo o propósito do que vê ele como uma brincadeira e passatempo.
O livro, por exemplo, só saiu por causa de muita insistência.
Mas tem valido a pena.
—É legal mostrar para uma audiência que não está nas redes sociais.
E também ouvi muitos relatos de professores que usam o livro para apresentar história da arte aos alunos, o que é extremamente gratificante — diz ele, listando a Era de Ouro holandesa, no século XVII, com artistas como Jan Steen (1626-1679) e Rembrandt (1606-1669), como sua época favorita.
— Gosto bastante das cenas de gente bêbadas em tavernas ou coisas do tipo (risos).
