No dia 19 de agosto, a convite do Hóttmar Loch, líder de inovação e design de experiências da ABRH e Líder do FESTRA, estive no Festival do Trabalho do CONARH em uma conversa sobre "Performance Sustentável: Como transformar cuidado e bem-estar em estratégia de negócio", mediada por Luiz Alberti Campos.
Afinal, nunca falamos tanto em performance e, ao mesmo tempo, nunca tenha sido tão urgente discutir o preço que estamos pagando por ela.
Segundo o Global Burden of Disease 2023, do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), 12,4% da população brasileira vivia com transtornos de ansiedade em 2023, colocando o Brasil entre os países com maior prevalência estimada no mundo.
Quando considerados conjuntamente depressão, ansiedade, transtorno bipolar, transtornos alimentares e esquizofrenia, o percentual chega a 21,3% da população brasileira, o 6º maior entre os países e territórios apresentados na base.
Ou seja, estamos falando de aproximadamente uma em cada cinco pessoas.
Neste sentido, precisamos falar sobre Performance Sustentável.
A própria origem da palavra ajuda a mudar essa conversa.
Performance remonta ao anglo-francês parfourmer/perfourmer: par/per, completamente, e former, formar, dar forma.
Em sua camada semântica mais profunda, performar é dar forma àquilo que antes existia como intenção ou potência.
Quando acrescentamos a palavra sustentável, incorporamos uma ideia que atravessa desde o Relatório Brundtland até o Triple Bottom Line, de John Elkington: atender às necessidades do presente sem comprometer o futuro.
Performance sustentável, portanto, não é produzir menos.
É produzir resultados hoje sem destruir as condições humanas, sociais e organizacionais necessárias para continuar produzindo amanhã.
É justamente de reflexões como esta que nasce o FESTRA, o Festival do Trabalho, uma iniciativa do CONARH inspirada no Festival of Work, promovido pelo CIPD, no Reino Unido.
Mais do que um novo espaço dentro do congresso, o FESTRA propõe uma forma diferente de discutir o futuro do trabalho, baseada em metodologias ativas, aprendizagem coletiva e conexão entre pessoas.
O evento teve mais de 90 palestras, mais de 90 workshops com altos executivos e executivas, como Ingrid Abdo, VP LATAM da M·A·C Cosmetics; Flavia Elizalde, Head no Brasil da McAfee; Ligia Zotini, fundadora da Voicers; Henri Karam, da DMT Palestras; Gabriela Augusto, da Transcendemos.
E contou com mais de 6 mil visitantes.
No fim, talvez o principal desafio das organizações não seja mais aprender a extrair o máximo das pessoas, mas criar as condições para que elas possam entregar o melhor de si de forma consistente ao longo do tempo.
Performance sustentável é entender que resultado e cuidado não são forças opostas: um sustenta o outro.
Porque organizações verdadeiramente preparadas para o futuro não serão apenas aquelas capazes de alcançar resultados extraordinários, mas aquelas capazes de fazer isso sem comprometer as pessoas que tornam esses resultados possíveis.
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