A inteligência artificial generativa já está entre as principais prioridades tecnológicas dos bancos brasileiros, mas transformar a tecnologia em aplicações maduras e capazes de gerar resultados em escala ainda é um desafio para boa parte do setor.
É o que mostra a 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada pela Deloitte.
Segundo o levantamento, 84% dos bancos atribuem prioridade média ou alta aos investimentos em inteligência artificial generativa.
Em 68% das instituições, o nível de prioridade é considerado alto.
Quando o critério passa da prioridade para a maturidade, porém, o cenário muda.
Apenas 28% das instituições afirmam ter maturidade média ou alta em GenAI.
A pesquisa classifica 72% dos bancos como de baixa maturidade nessa tecnologia, 8% como de média e 20% como de alta maturidade.
Na metodologia do estudo, baixa maturidade significa uso experimental ou pontual, com pouca integração e sem escala ou impacto relevante.
A maturidade média corresponde ao uso estruturado, com casos de negócio claros, mas ainda limitado em escala.
Já a alta maturidade pressupõe uso estratégico, escalável e com impacto mensurável no negócio.
O movimento acontece em meio a um novo aumento dos gastos tecnológicos do setor.
A expectativa dos bancos é que o orçamento total destinado à tecnologia alcance R$ 50,4 bilhões em 2026, alta de 8% sobre os R$ 46,8 bilhões registrados em 2025.
Em cinco anos, o orçamento cresceu 58%.
Esse recorte considera uma amostra de 21 bancos.
Os investimentos específicos em inteligência artificial também avançaram.
Em 2025, chegaram a R$ 826 milhões, ante R$ 596 milhões em 2024, crescimento de 39%, segundo uma amostra de 16 bancos.
No mesmo período, os recursos destinados à migração para nuvem passaram de R$ 3 bilhões para R$ 3,9 bilhões, alta de 30%.
Ganhos de eficiência começam a aparecer
Apesar da diferença entre prioridade e maturidade, a pesquisa identifica avanços na captura de valor com IA e GenAI.
Nos processos bancários, o ganho médio de eficiência depois da implementação das tecnologias passou de 8,4% em 2024 para 11,8% em 2025.
No backoffice, subiu de 7,4% para 11,5%, enquanto no desenvolvimento de aplicações avançou de 7,6% para 11,3%.
Também aumentou a parcela de instituições que registrou ganhos considerados elevados, definidos pela pesquisa como aumentos de eficiência de 20% ou mais.
Nos processos bancários, esse grupo passou de 17% para 28% entre 2024 e 2025; no backoffice, de 15% para 25%; e no desenvolvimento de aplicações, de 15% para 24%.
No atendimento ao cliente, o ganho médio de eficiência após a adoção de IA e IA generativa aumentou de 7% em 2024 para 10,3% em 2025.
A fatia dos bancos que registraram ganhos de pelo menos 20% nesse campo passou de 5% para 19%.
O estudo mostra ainda que 71% das instituições apontam o uso de IA generativa no atendimento entre suas prioridades relacionadas à experiência do cliente.
A transformação tecnológica também aparece na composição da força de trabalho.
Profissionais de TI já representam 11% dos trabalhadores dos bancos, ou 49,4 mil pessoas.
Além disso, 42% das instituições dizem pretender ampliar o número de profissionais da área, com expectativa média de crescimento de 22%.
Em 2025, 226,1 mil profissionais do setor bancário receberam treinamento em tecnologia.
Como foi feita a pesquisa
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária está em sua 34ª edição.
A primeira fase da coleta ocorreu entre dezembro de 2025 e março de 2026 com lideranças de tecnologia.
Participaram dessa etapa 25 bancos, que responderam aos questionários qualitativo e quantitativo e representam cerca de 85% dos ativos da indústria bancária brasileira.
Também foram entrevistados 53 executivos das áreas de tecnologia.
Na segunda fase, realizada entre janeiro e abril de 2026, participaram 23 bancos do levantamento quantitativo, correspondentes a aproximadamente 82% dos ativos do setor.
Segundo o estudo, a análise consolidou os dados coletados e os depoimentos individuais dos executivos.
As amostras variam de acordo com cada indicador apresentado na pesquisa.
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