Petróleo na Margem Equatorial vira ativo eleitoral e provoca disputa de discursos entre políticos do Amapá - QTU Questões do Universo

Petróleo na Margem Equatorial vira ativo eleitoral e provoca disputa de discursos entre políticos do Amapá

Fonte: Bandeira da fonte

A Petrobras ainda não sabe quanto petróleo ou gás existe no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, se o volume encontrado poderá ser explorado comercialmente nem quando uma eventual produção começará.
No Amapá, porém, a riqueza já começou a render dividendos — neste caso, políticos.
A identificação de hidrocarbonetos, substâncias formadas por hidrogênio e carbono que compõem o petróleo e o gás natural, na costa do estado desencadeou uma corrida entre as principais lideranças locais para reivindicar protagonismo na liberação da pesquisa e associar a própria imagem à promessa de empregos, royalties e desenvolvimento.
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Um dos principais articuladores da licença para a perfuração, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), intensificou as publicações sobre o tema desde o anúncio da Petrobras.
Somente nos últimos dois dias, foram ao menos sete conteúdos, entre fotos e vídeos da visita ao navio-sonda da estatal e registros de reuniões e declarações anteriores, usados para apresentar a descoberta como resultado de anos de mobilização política.
— O Amapá acreditou.
O Amapá lutou.
E o Amapá venceu.
Esse petróleo pode estar debaixo do mar, mas o futuro dele é aqui, na vida da nossa gente — afirmou o senador em uma das publicações.
Davi também divulgou o momento em que recebeu da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a informação sobre o resultado encontrado no poço.
Em outra postagem, afirmou que os defensores da pesquisa "estavam certos", transformando a descoberta numa confirmação da posição adotada durante o impasse entre a estatal e o Ibama.

Aliado de Alcolumbre e candidato à reeleição, o governador Clécio Luís (União Brasil) classificou o anúncio como a "notícia do século" e passou a associá-lo à preparação promovida por sua gestão.
Segundo o governador, seu governo contribuiu para levar ao Oiapoque uma base da Petrobras anteriormente instalada em Belém e atrair empresas ligadas ao setor.

— A primeira grande vitória foi trazer a Petrobras para o Amapá.
A segunda foi trazer a base da Petrobras, que estava em Belém, para o Oiapoque.
Depois conseguimos o licenciamento antes da COP e, agora, estamos vivendo a implantação da Petrobras, da Transpetro, da Constellation, da CBO e de várias outras empresas que estão se instalando no estado — declarou em uma publicação.

Nas redes, Clécio também destacou a atuação conjunta com Davi, o senador e líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT), o ministro da Integração, Waldez Góes, e o vice-governador Teles Júnior, reforçando a tentativa do grupo que comanda o governo estadual de apresentar a liberação da pesquisa como resultado de uma articulação política coordenada.

Também candidato à reeleição, Randolfe vem chamando o petróleo da Margem Equatorial de "virada de chave que esperávamos por gerações" e associou a descoberta a futuros investimentos em saúde, educação e emprego.
O senador também recuperou nas redes manifestações anteriores em defesa da perfuração e classificou o dia 14 de agosto como uma data histórica para o Amapá.

Aliado do principal adversário de Clécio na disputa pelo governo, o senador Lucas Barreto (PSD) vem reivindicando, embora de uma forma mais reservada e com menos publicações nas redes, participação no processo de liberação da busca por petróleo na Foz do Amazonas.
Em uma publicação, classificou o anúncio como "uma vitória construída com anos de luta, trabalho e coragem".
O parlamentar também relembrou discursos em que defendia a pesquisa e criticava o que considerava excesso de exigência no licenciamento ambiental.

Em um vídeo, o senador chega a agradecer o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e o Advogado-geral da União, Jorge Messias pela "contribuição para que o Amapá chegasse até aqui".

Ex-prefeito de Macapá e candidato ao governo do estado, Dr.
Furlan (PSD) foi mais comedido nos posicionamentos em suas redes em relação à descoberta das pesquisas.
No vídeo mais recente que aborda o assunto, deslocou o debate para afirmar que a capital do estado está preparada para receber os possíveis novos investimentos.

Na publicação, ele afirma que, após se reunir com representantes da Federação das Indústrias do Amapá e da PetroMacapá, a cidade começou a se preparar para a chegada da cadeia produtiva ainda durante a sua administração.

— Macapá está pronta para avançar com toda a cadeia produtiva do petróleo.
Isso é resultado de um trabalho que começou a ser desenvolvido enquanto prefeito, com parcerias e aprendizados com a experiência de Macaé, que proporcionou um preparo antecipado — afirmou.

Furlan também associou a descoberta à geração de oportunidades, empregos e renda.
Como teve menor participação direta no processo federal de licenciamento, o candidato tenta se apresentar como o gestor capaz de transformar uma eventual produção em benefícios concretos para a população.
Apesar do tom adotado pelos políticos, a Petrobras, por ora, informou apenas ter identificado hidrocarbonetos.
O material foi detectado por meio de perfis elétricos e de indícios observados nas rochas.
A companhia ainda precisa avaliar sua natureza, a extensão da acumulação, o volume recuperável e a viabilidade econômica.
Mesmo que a descoberta se mostre comercial, serão necessárias novas perfurações, outras licenças e a instalação de infraestrutura antes do início da produção — um processo que pode levar anos.