Ao apresentar ao ministro André Mendonça um relatório sobre diálogos e outras menções ao ministro Alexandre de Moraes no celular de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal reforçou que seguiu as determinações dadas por Mendonça para analisar o material bruto e que não realizou "quaisquer atos de aprofundamento investigativo direcionados a magistrados ou membros do Ministério Público, tampouco diligências tipicamente policiais destinadas à apuração de condutas que, em tese, possam configurar ilícitos penais", diz o documento.
O material foi tornado público por Mendonça nesta terça-feira (1) após o jornal O Estado de S.
Paulo revelar trechos de seu conteúdo que expunham a relação de Vorcaro com Moraes, incluindo mensagens trocadas por eles na véspera da prisão do ex-banqueiro, no ano passado.
Leia mais
No relatório, a Polícia Federal explica que passou a analisar o material após uma ordem expressa de Mendonça para que fosse identificado tudo que havia em um conjunto de mensagens e anotações no celular de Vorcaro com referência a autoridades com foro privilegiado no STF, incluindo menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A corporação também apresentou mensagens com referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que não possui foro no Supremo.
Ao apresentar o material, a corporação listou um total de 52 anotações que Vorcaro mantinha em seu bloco de notas no celular e que, segundo a perícia da PF, foram compartilhadas com o número de telefone utilizado por Moraes via Whatsapp por meio de imagens de visualização única.
A PF reconstruiu as conversas cruzando as datas e horários de criação dos blocos de notas com o horário que Vorcaro utilizou o whatsapp e enviou imagens de visualização única para o ministro do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, o objetivo foi " individualizar os destinatários, interlocutores e demais pessoas mencionadas nas comunicações analisadas, reunindo-se os elementos disponíveis acerca das respectivas interações, contextos, e vínculos identificados no curso das investigações".
A corporação chega a mencionar ainda o trecho do regimento interno do Supremo que trata especificamente das autoridades que possuem como foro o plenário do STF, que são o presidente da República e seu vice, os presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo e o procurador-geral da República.
"Desta forma, nos termos consignados na requisição judicial, as informações apresentadas contemplam a identificação das pessoas que participaram e foram mencionadas nas mensagens reproduzidas nas fls.
3-5 da IPJ-M nº 144738439.2026, inclusive eventuais detentoras de foro por prerrogativa de função, bem como a identificação de pessoas eventualmente sujeitas à incidência do art.
5º, I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal".
Sem citar o nome do ministro Alexandre de Moraes, o relatório da corporação afirma ainda que "em observância às disposições da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) e da Lei Orgânica do Ministério Público, diplomas que estabelecem regime jurídico próprio e regramento específico para a apuração de fatos envolvendo membros dessas instituições, as análises e evidências ora apresentadas restringem-se aos dados brutos e elementos informacionais localizados no acervo probatório da Operação Compliance Zero".
"Assim, não foram realizados quaisquer atos de aprofundamento investigativo direcionados a magistrados ou membros do Ministério Público, tampouco diligências tipicamente policiais destinadas à apuração de condutas que, em tese, possam configurar ilícitos penais, limitando-se o presente trabalho à identificação e exposição objetiva dos elementos já existentes no material regularmente arrecadado e submetido à supervisão judicial", segue o relatório.
A assessoria de Moraes ainda não se manifestou sobre o relatório da PF tornado público nesta tarde.
A defesa de Vorcaro também não se manifestou.
