PF vê envolvimento de mais diretores do BRB no caso Master e pede ao STF prazo maior para investigações - QTU Questões do Universo

PF vê envolvimento de mais diretores do BRB no caso Master e pede ao STF prazo maior para investigações

Fonte: Bandeira da fonte

A Polícia Federal (PF) pediu nesta quinta-feira (20), ao Supremo Tribunal Federal (STF), mais 60 dias para as investigações envolvendo as suspeitas de fraudes nos negócios entre o Banco de Brasília (BRB) e o extinto Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado.
No pedido, a corporação aponta que teria sido identificada suspeita de envolvimento de mais diretores do BRB nas fraudes e por isso pediu mais tempo para concluir o caso.
A informação foi antecipada pelo jornal O Estado de S.
Paulo.
Como é praxe nestes casos, o pedido deve ser prorrogado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

A PF não cita os nomes dos novos suspeitos, mas indica que precisa tomar depoimentos dos integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que aprovaram os negócios do banco com o Master.
Dentre os episódios suspeitos estão a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito fraudulentas de cerca de R$ 12 bilhões durante o governo de Ibaneis Rocha (MDB).

Dos integrantes da cúpula do BRB, apenas o ex-presidente Paulo Henrique Costa está preso.
Ele é suspeito de receber propina por meio de imóveis para atuar em favor do Master dentro do banco brasiliense.
A PF identificou novos nomes suspeitos após uma ampla perícia feita pela corporação nos negócios entre as duas instituições financeiras e sobre como tramitaram dentro do BRB as tratativas para comprar ativos do Master.

Segundo o ofício da corporação, o laudo "identificou elementos relacionados ao processo decisório interno da instituição financeira, apontando possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco, aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle e a participação individualizada de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB (DICOL) em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação".
"As conclusões constantes desse trabalho pericial revelaram fatos novos e permitiram a individualização da atuação de agentes que até então não figuravam formalmente entre os investigados, tornando necessária a inclusão de integrantes da DICOL no polo passivo da investigação e a realização de suas respectivas oitivas, providências essenciais para o completo esclarecimento dos fatos”, segue a PF no ofício.
No pedido, a PF também menciona um segundo laudo feito pela corporação sobre a cessão de carteiras falsas da Tirreno ao BRB pelo Master, no qual apontou "incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas".

Por fim, ainda menciona que está aguardando dados do Banco Central sobre o efetivo rombo causado nas contas do BRB com os negócios com o Master.
Os negócios são investigados no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado e que levaram à primeira prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, enquanto ele tentava deixar o país em seu jatinho particular.
Os negócios com o Master deixaram um rombo nas contas do BRB, que tenta obter ajuda de outras instituições financeiras para se recuperar.