A Procuradoria-Geral da República afirmou serem "precipitada" as buscas em endereços de familiares do senador e vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha, e no escritório de advocacia de Willer Tomaz, advogado com forte trânsito entre políticos em Brasília e amigo do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No documento, a PGR ainda indicou ser favorável à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados.
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O Valor teve acesso ao parecer da PGR , que está sob sigilo, e expõe a avaliação do órgão sobre o pedido de buscas feito pela PF e que foi autorizado por André Mendonça nesta semana.
No documento, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, o Ministério Público afirma ser necessário aguardar a quebra de sigilo bancário dos investigados e a análise dos dados para, depois, decidir em relação a quais investigados haveria motivo para a realização de buscas.
"Por ora, qualquer outra iniciativa probatória de natureza cautelar, sobretudo aquelas que se cumprem de forma ostensiva, tornando-se conhecidas dos investigados, e comumente expostas ao domínio público, parecem precipitadas", afirmou Chateaubriand no parecer enviado no dia 30 de julho ao ministro André Mendonça.
No documento, o vice-PGR ainda reconhece que as suspeitas levantadas pela PF apontam para um "quadro verossímil".
"Ainda que o conjunto de indícios até o momento colhido desenhe um quadro verossímil de eventos, as quebras de sigilo servirão para confirmar, com a consistência necessária, a origem dos recursos movimentados pelos investigados, as conexões financeiras entre si estabelecidas e o possível descompasso patrimonial", segue o parecer.
As buscas foram autorizadas por Mendonça no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos em folha de aposentados do INSS e na qual o senador já havia sido alvo de buscas ano passado.
Como mostrou o Valor, a PF encontrou uma série de diálogos no celular de Weverton Rocha e cruzou com outros dados da investigação para apontar a suspeita de que o senador e o advogado teriam participado de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro desde, pelo menos, 2023.
A estrutura criada para lavar dinheiro envolveria parentes do parlamentar, empresas familiares, postos de gasolina e até pelo uso do próprio escritório de advocacia.
Dentre os episódios, os considerados mais sensíveis foram a compra de uma casa no Lago Sul, em Brasília, no valor de R$ 6 milhões por uma empresa de Willer Tomaz.
As investigações apontam que o imóvel seria, de fato, do senador.
Também chamou atenção da PF o fato de a esposa do parlamentar, Samya Rocha, ter recebido R$ 11 milhões do escritório de advocacia de Tomaz desde o fim de 2024.
Em nota, o escritório afirmou que ela era advogada associada do escritório e que os valores seriam referentes a honorários advocatícios.
"A advogada Samya Rocha atua há vários anos como associada do escritório de advocacia.
Todos os valores a ela repassados decorrem da prestação de serviços advocatícios, estão devidamente documentados e foram regularmente declarados.
Quanto ao imóvel mencionado, Willer Tomaz esclarece que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária sediada em Brasília, que possui, administra e negocia diversos imóveis na capital federal.
As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas", diz a nota.
Já o senador divulgou nota afirmando que todas as movimentações apontadas pela PF são legais e declaradas à Receita.
"Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder.
Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais.
E foram devidamente declaradas à Receita Federal", informa a nota.
