O pianista baiano Marcelo Galter lança seu novo álbum, “Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi”, na próxima quinta-feira, 27.
Produzido pela Gravadora Rocinante, o trabalho estará disponível em vinil e nas principais plataformas de streaming, aprofundando a pesquisa do artista sobre a obra de Dorival Caymmi e sua relação com a música tradicional da Bahia.
Mais do que revisitar o repertório de Caymmi, Galter busca compreender os métodos e processos criativos do compositor.
Ele estabelece relações com sua própria trajetória como pianista, compositor e arranjador.
Entre os elementos investigados estão os pregões de rua, os toques de berimbau, as violas do samba de roda e os tambores afro-baianos, linguagens que, segundo o músico, estão na base da singularidade da obra de Caymmi.
Método e Influências
“Investigar a música de Caymmi me fez reconhecer o seu método orgânico de desenvolver uma singularidade na música a partir da realidade da qual ele fazia parte”, afirma Galter.
Para o pianista, a obra de Caymmi demonstra a capacidade de incorporar referências externas sem perder sua identidade.
Ele observa que “Dorival não se furtava a se abrir para outras belezas e foi influenciado pela música de Ravel, Debussy e Bach, manejando essas influências de um jeito poético e único”.
Galter explica sua conexão pessoal: “Convivo com essas sonoridades e essas formas de comunicação há muito tempo e de maneira muito habitual.
Sempre gerou novos frescores à minha música imaginar um piano conectado aos conceitos rítmicos e aos sotaques que vêm dessas tradições e instrumentos”.
A pesquisa foi construída a partir da convivência com mestres e músicos ligados a essas tradições.
A Importância da Oralidade
A oralidade ocupa lugar central nesse processo.
Para Galter, a transmissão musical pelo corpo, pela voz e pela convivência é fundamental para compreender tanto a obra de Caymmi quanto as tradições que a atravessam.
“Trazer essas linguagens para o meu jeito de tocar piano foi um processo de muita investigação e de convivência direta com mestres dessas tradições e com músicos que, acima de tudo, se reconhecem de forma genuína nessa circularidade”, diz o pianista.
A Voz como Elemento Musical
Outra característica do álbum é a utilização da própria voz do pianista em diferentes faixas.
A escolha amplia as possibilidades de diálogo entre música instrumental e canção, surgindo do processo de elaboração dos arranjos, segundo Galter.
Ele afirma que “a voz foi fundamental na transmissão dos arranjos e acabou incorporada organicamente ao conjunto para aprofundar outras sutilezas que estão presentes na poesia caymmiana e nas paisagens que ele pinta em suas músicas”.
O músico ressalta que a intenção não foi apenas produzir novidade, mas explorar diferentes possibilidades de timbre e textura.
“A voz, neste trabalho, surgiu em diversas cenas, ora como bússola, ora como instrumento ou simplesmente, como mistério.”
Repertório e Faixas
O álbum reúne oito faixas, sendo seis composições de Caymmi e duas assinadas por Galter e parceiros.
O repertório inclui:
“Promessa de pescador”
“O vento”
“Sodade matadera”
“A lenda do Abaeté”
“365 igrejas”
“A jangada voltou só”
Completam o disco:
“Zoada do batucajé”, de Galter
“Promessa”, parceria de Galter com Ldson Galter e Reinaldo Boaventura
Formação Musical
A formação para o álbum reúne:
Marcelo Galter: piano, vozes e palmas
Ldson Galter: contrabaixo, vozes e palmas
Reinaldo Boaventura: percussão, vozes e palmas
Luizinho do Jêje: percussão, vozes e palmas
Mû Mbana (músico de Guiné-Bissau): voz, flauta fulani e palmas em diferentes faixas
O título do disco sintetiza a perspectiva do projeto.
“Com este disco, quero convidar a um mergulho nas águas da Bahia para constatar o que o próprio título já anuncia: a beleza de Caymmi é, de fato, infinita”, afirma o pianista.
