Vender a promessa de férias perfeitas com piscinas, coquetéis e descanso absoluto é a marca registrada dos cruzeiros de luxo.
Em alto-mar, porém, a rotina nem sempre sai como planejado e o que era a promessa de um sonho se transforma num cenário caótico.
Em outras palavras, um pesadelo.
Informações da plataforma Cruisemapper, que monitora mais de 1.500 transatlânticos pelo mundo, mostram que viagens já envolveram desde ataques de piratas e colisões com icebergs a incidentes graves provocados pela imprudência dos próprios passageiros.
Passageiros desaparecidos: o lado sombrio e não contado dos cruzeiros de luxo
Balei fica presa em proa de cruzeiro, no ano de 2024
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O impacto com a vida marinha e com fenômenos naturais encabeça a lista de sustos.
Em 2024, o navio MSC Meraviglia surpreendeu as autoridades ao atracar no porto do Brooklyn, em Nova York (EUA), carregando na proa o corpo de uma baleia de 13 metros que havia sido atingida durante a navegação.
Navio da Norwegian Cruise Line atinge um iceberg em 26 de junho de 2022
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O mar gelado também cobrou seu preço em 2022, quando o Norwegian Sun colidiu com um iceberg perto do Alasca e precisou regressar ao porto para reparos emergenciais, episódio que levou passageiros a apelidarem o navio, com alívio, de "Titanic 2.0".
Já em 2018, no arquipélago de Svalbard (Noruega), a vida selvagem gerou pânico quando um urso-polar atacou um guarda que acompanhava turistas do MS Bremen.
O animal foi abatido por outro segurança e o homem ferido acabou evacuado do local para receber atendimentos médicos.
O cruzeiro MS Bremem
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A violência e as manobras no mar também renderam outros casos relevantes.
Em 2009, o MSC Melody foi alvo de uma tentativa de assalto por piratas fortemente armados na costa da Somália.
Enquanto os criminosos disparavam contra o transatlântico, turistas tentaram impedir o embarque arremessando cadeiras de convés, até que a equipe de segurança conseguiu impedir a invasão.
Em outros momentos, o perigo veio do próprio tráfego, como um "fogo amigo".
Em 2019, o porto de Cozumel, no México, registrou o choque entre dois gigantes quando o Carnival Glory colidiu contra a popa do Carnival Legend.
O crime a bordo também entra na lista de ocorrências.
Em 2024, dois viajantes foram detidos no navio Norwegian Joy após serem flagrados transportando cerca de 72 kg de maconha distribuídos em mais de 100 pacotes embalados a vácuo, com um dos suspeitos afirmando que a carga era para consumo próprio.
Também há casos relacionados à imprudência de turistas.
De ressaca a bordo do Symphony of the Seas, da Royal Caribbean, atracado em Nassau (Bahamas), o passageiro Nick Naydev decidiu dar um salto "divertido" da varanda do 11º andar direto no mar.
A manobra quase fatal terminou com a proibição vitalícia de Naydev e seus amigos em qualquer embarcação da companhia.
Amy Bradley e seu irmão, Brad, a bordo de navio da Royal Caribbean em cruzeiro em março de 1998
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Outros cruzeiros foram marcados por situações mais graves, como a do desaparecimento de Amy Bradley, em viagem em 1998.
A passageira tinha 23 anos e estava fazendo cruzeiro com parentes pelo Caribe.
O pai de Amy acordou e a viu dormindo na varanda da cabine por volta das 5h30.
Pouco tempo depois, ele acordou e ela tinha desaparecido, deixando a porta da varanda entreaberta.
O corpo nunca foi encontrado.
Brad Bradley, irmão da desaparecida, mandou até uma mensagem pedindo apoio de Kim Kardashian a fim de dar um desfecho ao caso.
Kimberly Burch era noiva do vocalista do Faster Pussycat, Taime Downe
Reprodução/Instagram
Episódio semelhante envolveu Kimberly Burch, de 56 anos, noiva do vocalista da banda Faster Pussycat, Taime Downe.
Ela caiu ao mar da varanda da sua suíte no "Explorer of the Seas" (Royal Caribbean) na primeira noite de um cruzeiro no ano passado.
O incidente ocorreu logo após uma discussão com o seu noivo.
A mãe da vítima, buscando a verdade, expressou convicção de que a filha não cometeria suicídio e alega até hoje estar sendo ignorada pelo Royal Caribbean Group na busca por informações.
* João Marcelo Barreto é estagiário sob a supervisão de Fernando Moreira
