Pix Automático acelera mudança nas cobranças recorrentes e coloca infraestrutura das empresas à prova - QTU Questões do Universo

Pix Automático acelera mudança nas cobranças recorrentes e coloca infraestrutura das empresas à prova

Fonte: Bandeira da fonte

O avanço do Pix Automático abre uma nova etapa na transformação dos pagamentos recorrentes no Brasil.
Depois de o Pix se consolidar nas transferências e nos pagamentos cotidianos, a modalidade passa a disputar um espaço historicamente ocupado pelo débito automático em contas de consumo, mensalidades, seguros, assinaturas e outros serviços recorrentes.
Para grandes empresas, porém, a mudança vai além de disponibilizar uma nova alternativa para o consumidor.
A entrada de um novo meio de cobrança altera processos de autorização, processamento, identificação dos pagamentos, baixa financeira e conciliação, além de exigir integração com sistemas de faturamento, atendimento e gestão.
O impacto tende a ser maior em setores que trabalham com grande quantidade de cobranças recorrentes, como energia, saneamento, telecomunicações, educação, seguros, condomínios e serviços por assinatura.
Para José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos, a principal transformação provocada pelo Pix Automático pode acontecer nos bastidores das empresas.
"Durante muito tempo, a inovação em pagamentos foi percebida principalmente pela experiência do consumidor.
Agora, uma parte relevante da mudança acontece dentro das empresas.
Quem não revisar a infraestrutura de arrecadação corre o risco de oferecer uma jornada moderna na frente e continuar operando com processos fragmentados por trás", afirma.
Diferentemente de uma compra pontual, uma cobrança recorrente precisa continuar funcionando mês após mês.
Isso exige que a empresa consiga acompanhar autorizações, vencimentos, pagamentos efetivados, cobranças não concluídas, novas tentativas e eventuais cancelamentos, mantendo essas informações sincronizadas com os sistemas internos.
Quanto maior a diversidade de meios de pagamento oferecidos, maior também o desafio de consolidar essas informações.
Pix Automático, cartão, boleto e débito em conta podem seguir jornadas e prazos distintos, mas precisam chegar à mesma estrutura financeira da empresa.
É justamente nesse ponto que a discussão sobre o avanço do Pix Automático se aproxima da orquestração de pagamentos.
Mais do que habilitar diferentes opções, a empresa precisa conseguir administrar as transações de maneira integrada e acompanhar o ciclo financeiro de cada cobrança.
"O risco não está em ter mais meios de pagamento.
Está em aumentar a quantidade de meios sem aumentar a capacidade de gestão.
A complexidade aparece quando cada jornada gera uma informação diferente, segue uma regra própria e precisa ser reconciliada dentro da mesma operação", explica Bijos.
Para Bijos, o avanço do Pix Automático também reacende a discussão sobre o futuro do débito automático.
A tendência, entretanto, não precisa ser entendida como uma substituição instantânea.
Empresas com operações de grande escala possuem contratos, sistemas, integrações e processos construídos ao longo de anos.
Por isso, diferentes modalidades podem coexistir durante um período relevante, enquanto consumidores e organizações adotam novas jornadas de cobrança.
Essa convivência cria um desafio adicional para as áreas financeiras: administrar simultaneamente modelos antigos e novos sem aumentar o número de processos manuais ou dificultar a visão consolidada dos recebimentos.
Na avaliação da Multipagamentos, a discussão estratégica passa menos por escolher qual modalidade irá prevalecer e mais por preparar a operação para um ambiente em que diferentes meios convivam.
"A empresa não pode estruturar a operação apostando que um meio vai simplesmente substituir o outro.
O cenário mais desafiador é justamente o da coexistência.
É nele que a infraestrutura precisa ser capaz de absorver diferentes jornadas sem transformar cada nova opção de pagamento em uma nova operação isolada", diz o executivo.
A mudança também pode alterar a forma como as companhias avaliam seus próprios meios de cobrança.
Além da adesão do consumidor, entram nessa decisão fatores como eficiência operacional, custos, prazo de liquidação, taxa de sucesso das cobranças, conciliação e capacidade de integração com os demais sistemas.
Diante disso, a escolha do meio de pagamento deixa de ser apenas uma decisão comercial ou ligada à experiência do cliente e passa a fazer parte da estratégia financeira da organização.
"O próximo salto não será simplesmente oferecer mais alternativas.
Será possível decidir, operar e conciliar essas alternativas de forma inteligente.
A experiência de quem paga precisa continuar simples, mas essa simplicidade só é sustentável quando existe uma estrutura robusta do outro lado", afirma Bijos.