Para o CEO da Elo e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Giancarlo Greco, hoje, existe uma convivência “muito boa” entre o Pix e outros métodos de pagamento, como cartões.
Segundo ele, a disputa de todos os meios é contra o papel-moeda.
“Existe uma convivência do Pix com outras formas de pagamento do mercado que é muito boa.
Eles se complementam muito bem, são propostas de valores diferentes”, disse, em relação ao Pix e aos cartões, em painel no Febraban Tech, evento de inovação e tecnologia promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
“A grande luta que a gente tem é como eu garanto sucesso dos meios de pagamento, que sempre foi uma luta contra o papel-moeda.”
Segundo ele, a agenda evolutiva do Pix é bem-vinda.
Os cartões, destacou, ainda têm ativos que são únicos, como o processo de contestação de compras, conhecido como “chargeback”.
“Pix não é um jogo de ganha ou perde, é um complemento”, avaliou.
Greco também ressaltou que, neste ano, a indústria de cartões deve passar de R$ 5 trilhões em volume transacionado.
“Rede de captura, que é um dos pilares do negócio das credenciadoras, mostra que a indústria caminha com força total”, afirmou.
Para ele, soluções que têm inteligência podem capturar valor no mercado.
Para Bárbara Freitas, diretora de Meios de Pagamento do Banco do Brasil, a indústria de cartões tem demanda “altíssima”.
“São produtos rentáveis e são produtos que têm altíssimo índice de demanda em um mercado nervoso.
Todos os dias, os nossos concorrentes estão lançando inovações, tem disputa.”
Marlei Silva, líder de Produtos de Pagamentos no Brasil do J.P.
Morgan, avalia que o setor está mudando.
“Está migrando cada vez mais para quem conseguir migrar pagamentos para uma plataforma de soluções”, afirmou, se referindo à oferta de soluções mais amplas.
No mesmo sentido, Mayra Borges, vice-presidente de Produtos da Getnet, disse que essa reinvenção começa pela “revisão do nome do negócio”, acrescentando que, hoje, a Getnet se apresenta como hub de pagamentos, em vez de adquirente.
Isso porque é importante olhar para outros métodos de pagamento e entregar valor ao melhorar a experiência de seus clientes.
“Quanto vale aumentar 3%, 5% das suas vendas? Quanto vale uma solução para diminuir a fraude de um comércio eletrônico?”, perguntou.
“É mais do que a discussão do MDR [taxa cobrada pelas “maquininhas” dos comerciantes], é agregar valor em que essa discussão do preço-base fica em segundo plano.”
Sobre as adquirentes, Greco acrescentou a preocupação com a pressão que a evolução do mercado causa nesse segmento, inclusive com o “split payment”, mecanismo previsto na Reforma Tributária para separar automaticamente o valor dos tributos no momento da liquidação da transação.
“Tudo desembocou, até agora, em o adquirente se adaptar e adaptar a ponta, que, agora, tem esse 'complicômetro' também, que é o split payment”, afirmou.
“Está deixando o adquirente mais exposto em sua rentabilidade.”
Bárbara comentou, pela ótica de banco emissor, que o mercado está migrando para uma “visão mais ampla do cliente”, o que tem levado à queda nas taxas de MDR e intercâmbio (tarifa cobrada das adquirentes pelos bancos).
“Ainda são receitas muito relevantes”, ponderou.
“Mas a gente tem atuado, a própria concorrência tem pressionado isso, de a gente flexibilizar algumas receitas”, afirmou, acrescentando que isso leva a olhar o fluxo completo do relacionamento do cliente com a instituição, que passa por crédito e investimentos.
