A Polícia Civil iniciou uma investigação para identificar os responsáveis por espalhar cartazes apócrifos no Recife com ataques à governadora Raquel Lyra (PSD), durante o fim de semana.
A campanha da governadora, que disputa a reeleição contra o ex-prefeito João Campos (PSB), acionou também a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral.
Em um dos cartazes, Lyra aparece ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, condenadas por homicídio, com a inscrição “matadoras de maridos”.
Em outro, a governadora está sozinha na foto com o texto “ela matou o marido para ganhar as eleições”.
As peças foram encontradas em vários pontos do Bairro do Recife, centro da capital.
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O empresário Fernando Lucena, ex-marido da governadora, morreu no dia da votação do primeiro turno das eleições em 2022.
Ele tinha 44 anos e foi vítima de infarto.
“A forma mais baixa e cruel de se desestabilizar uma pessoa”, afirmou a governadora Raquel Lyra sobre os ataques, em entrevista ao SBT News nesta segunda-feira (28).
Com voz embargada pelo choro, a governadora disse que “só pensava nos filhos” quando se deparou com os ataques.
Ela afirmou ainda se preocupar com fato de que alguns perfis nas redes sociais começaram a imputar a ela a autoria dos cartazes, como se ela estivesse tentando criar um fato político para sua campanha.
“Abominável.
Só uma alma muito doente pode pensar isso”, afirmou.
Depois de repudiar os ataques à adversária, Campos afirmou hoje “ter certeza absoluta” de que eles não foram espalhados por aliados seus.
A Justiça Eleitoral determinou a retirada de postagens de candidatos que relacionaram os cartazes à campanha de Campos e ao PSB, entre eles, do deputado Mendonça Filho (PL), que disputa o Senado de forma avulsa.
Gabinetes do ódio
A ação de supostos “gabinetes do ódio” nas campanhas de João Campos e de Raquel Lyra pauta o debate eleitoral em Pernambuco desde a semana passada.
A TV Record publicou uma reportagem em que apontava um servidor comissionado do Governo do Estado, Amisadai Andrade da Silva, como comandante de uma rede de fake news sobre João Campos.
A governadora exonerou o servidor no dia seguinte à reportagem.
Dois dias depois, Lyra divulgou em seu perfil oficial um vídeo em que Campos aparece dando os parabéns a Amisadai pelo nascimento de sua filha.
Na postagem, a governadora escreveu “mentira tem perna curta”.
Campos foi às redes sociais para negar que tivesse amizade com Amisadai.
No dia seguinte, a Justiça Eleitoral determinou que o Instagram apagasse postagens - a maioria delas publicadas por perfis aliados de Campos - em que a reportagem da TV Record era abordada como prova da existência do “gabinete do ódio” contra o ex-prefeito.
Na decisão, que atendeu ao pedido da coligação da governadora, o desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo afirmou que "o conteúdo desinforma ao transformar suspeitas jornalísticas em conclusões irrefutáveis"
Até abril, Campos liderava as pesquisas em Pernambuco, mas Lyra virou o jogo.
Levantamento da Quaest, divulgado na semana passada, mostra Lyra com 44% dos votos contra 36% de Campos, no primeiro turno.
A margem de erro é de três pontos percentuais.
Campos tem o apoio de Lula, enquanto Lyra não declara voto para presidente e tenta driblar a polarização nacional.
Sem outros candidatos competitivos, a eleição no Estado tende a ser decidida no primeiro turno.
